FIESC chama fim da escala 6×1 de equívoco e alerta para 41 mil empregos ameaçados em SC

Estudo da entidade estima alta de 11,4% no custo do trabalho e impacto negativo de 0,6% no PIB catarinense com o fim da escala 6×1
A FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) considera um equívoco a aprovação, pelo Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê a redução da jornada de trabalho e mudanças na escala 6×1.
Para a entidade, a medida pode elevar os custos das empresas, comprometer a competitividade da indústria e provocar impactos negativos na economia brasileira.
Segundo estudo da FIESC, a o fim da escala 6×1 poderia aumentar em 11,4% o custo do trabalho em Santa Catarina. A estimativa aponta ainda o risco de extinção de 41,4 mil empregos no estado, sendo 19,1 mil na indústria.
Diante desse cenário, o presidente da entidade, Gilberto Seleme, defende que a regulamentação da mudança considere as diferenças entre os setores produtivos e permita exceções para atividades que não consigam se adaptar às novas regras.
“A imposição de uma mudança generalizada por via constitucional ignorou as grandes diferenças existentes entre a realidade dos diversos setores produtivos. A decisão pode desequilibrar a sustentabilidade financeira e a competitividade de grande parte das empresas industriais, especialmente as exportadoras. Os pequenos e médios negócios serão os mais afetados”, afirma Seleme.
FIESC alerta para aumento de custos e preços
Outro ponto destacado pela federação é a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada em Santa Catarina. Na avaliação da entidade, o fim da escala 6×1 poderá exigir novas contratações para manter o funcionamento das empresas, elevando as despesas, principalmente para pequenos e médios negócios.
A FIESC também avalia que parte desses custos poderá ser repassada aos consumidores, pressionando os preços de produtos e serviços. O efeito, segundo Seleme, pode ser percebido mais rapidamente no setor de serviços e chegar ao orçamento das famílias.
“O setor produtivo vai repassar esses custos para os preços de seus produtos e serviços. No fim das contas, o cidadão vai sentir no supermercado que o custo de vida no Brasil ficará mais caro”, diz o presidente da entidade.

Fim da escala 6×1 abre o debate sobre mão de obra, custos de produção e preço dos alimentos – Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais
A federação ainda alerta que o encarecimento do emprego formal pode estimular a informalidade e reduzir o número de postos de trabalho com carteira assinada.
Entidade defende negociação entre empresas e trabalhadores
Para a FIESC, a negociação coletiva entre sindicatos patronais e de trabalhadores é um caminho para estabelecer jornadas e escalas compatíveis com as características de cada atividade econômica.
A entidade argumenta que acordos negociados permitem considerar as particularidades dos setores produtivos, em vez de impor uma mudança uniforme a todas as empresas.
Na avaliação da federação, alterações sustentáveis na jornada de trabalho precisam estar associadas a ganhos reais de produtividade, inovação e automação. A entidade defende que esses fatores sejam considerados na regulamentação da proposta para reduzir os riscos à competitividade das empresas e à manutenção dos empregos.
Fonte: ND+

