Impactos da tragédia no RS e as práticas políticas que deverão ser adotadas
Por Diogo Chamum
A tragédia recente no Rio Grande do Sul foi marcada por inundações devastadoras que afetaram significativamente a população e a infraestrutura do estado. Deixou marcas profundas na sociedade gaúcha e teve reflexos em todo país, exigindo, além de um esforço sobre-humano dos gaúchos, uma resposta eficiente por parte das autoridades públicas.
A grande maioria dos 497 municípios do RS foram atingidos de alguma forma. Mesmo sem conhecimento do triste resultado final, já foram registradas várias mortes, milhares de desabrigados e perdas materiais. Além disso, houve gravíssimos prejuízos na infraestrutura, com danificação ou perdas de pontes, escolas, hospitais, milhares de residências destruídas, bem como a paralisação das operações no aeroporto Internacional Salgado Filho, devido aos severos danos sofridos.
Foram dias difíceis, com foco em três frentes: salvar vidas, minimizar danos materiais e preservar as empresas. E se há algo positivo a ser tirado dessa sequência de eventos trágicos, é a solidariedade do povo brasileiro, que se destacou. Desde arrecadação e envio de roupas, cobertores, água e mantimentos, até o “arregaçar das mangas” e auxiliar nos resgates. Vimos anônimos e famosos empenhados em ajudar. Imagens impactantes mostraram jogadores profissionais, astros e ricos, entregando marmitas e salvando pessoas, verdadeiros craques fora de campo.
A retomada não será fácil e também não virá somente com a solidariedade do povo. É preciso muito mais ! O impacto financeiro será por longo prazo e não se limita apenas ao momento da enchente. Os custos para reconstruir ou reparar as residências e repor os pertences perdidos podem ser altos e muitas vezes não estão ao alcance das famílias afetadas. Os prejuízos à saúde são eminentes e representam uma séria ameaça à saúde pública. A contaminação da água pode levar à propagação de doenças, como a leptospirose e a hepatite A. Além disso, o contato com a água contaminada e o estresse causado pela perda de casa e pertences podem desencadear problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.
O poder público precisará entrar em ação de forma estratégica e consistente. Não adianta somente criar linhas de crédito facilitadas, postergar pagamento de impostos ou antecipar direitos como FGTS e a restituição do IRPF. Será necessário ir muito além e entender que a retomada passa diretamente pelo fortalecimento da economia, a qual tem como peça central as empresas, que são os principais responsáveis pela geração de emprego e renda, além da arrecadação através dos impostos pagos. As ações deverão ser mais fortes, como isentar impostos por um período e oferecer empréstimos a fundo perdido. Somado a isso, o governo local terá que investir pesado na infraestrutura para que esse tipo de tragédia não volte a ocorrer.
Em suma, o momento é de esforço de todos. Mas nossos governantes terão que ser corajosos e audaciosos e focar nas pessoas, para acelerar a retomada de um pedaço fundamental do Brasil. Muito além de recuperar a economia, é necessário devolver dignidade a um povo que está muito fragilizado. É hora de abrir os cofres e mirar no futuro. Para o bem do Brasil, rogamos que esse futuro chegue o quanto antes.
DIOGO CHAMUM
Contador, Palestrante e Diretor de Políticas
Estratégicas e Legislativas da FENACON
