Economia e eleição
Em qualquer lugar do mundo, à exceção de Venezuela e Rússia, eleitores votam com o bolso. Está acontecendo na Europa, onde a crise estrutural já derrubou 12 governos, inclusive o da França, no último dia 6. Nos Estados Unidos, este tem sido o comportamento ao longo das últimas quatro décadas. E será de novo, no fim do ano. No Brasil, as eleições municipais deverão sinalizar para os efeitos da economia. O País vive sob a hipnose do PT e, apesar do julgamento do mensalão e da cachoeira de obscenidades em curso, o partido continuará forte, menos em Santa Catarina.
Aos poucos, consolida-se a queda do crescimento. É certo que o País não crescerá os 4,5% anunciados pelo governo. Ficará em torno de 2,7% do ano passado. A indústria parou há 12 meses e a queda no Sul é preocupante. Em Santa Catarina, o setor recuou 5,9% no primeiro trimestre em relação ao ano passado. O desaquecimento é visível. O poder de compra do consumidor está caindo, o que explica a campanha do governo pela redução dos juros. De qualquer forma, estruturalmente, o País sofre os efeitos da crise nos Estados Unidos e na Europa, e não o contrário, como dizia a presidente. O desaquecimento interno deve refletir nas urnas, com leve incidência no PT.
Em Joinville, a paralisia dos últimos três anos e meio determinou o fechamento e esvaziamento de quase todas as instituições culturais. A crise na saúde se manteve, piorando crescentemente, assim como o rodízio de interdições de prédios públicos. O governo do PT repetiu aqui o que já fizera em outras cidades catarinenses, a desconstrução do patrimônio público. As obras de ampliação da rede de saneamento resultam da ação de governos passados, ressalte-se. Apesar de fraco, o PT pode incomodar.
Se passar ao segundo turno, (que muitos consideram certo), terá apoio do terceiro colocado. E chances de emplacar mais quatro anos. O desastre, então, será completado. Os gastos em propaganda revelam que a Prefeitura guardou dinheiro para 2012. Dinheiro farto na mídia retoca a imagem e anima companheiros na busca do segundo turno. Hoje improvável, mas até outubro?
Mesmo com a economia travada e em processo de recuo, há sobrevida para o PT. Salvo novas revelações do mensalão ou de Cachoeira, que faça o partido ajoelhar de vergonha e o eleitor ficar vermelho de indignação, este deve crescer nas urnas. Em Joinville, mesmo estando mal, ensaia recuperação.
Os adversários se atolam em discussões bizantinas sobre nomes de vice. Vice pode, no máximo, derrubar candidaturas. Enquanto isso, o governo investe pesado na maquiagem e na esperança de que as visitas de Lula e Dilma alterem o cenário. Virão para visitar os museus fechados ou passear de lancha na baía? Pelo que se viu até hoje, Joinville não existe no mapa de Lula ou de Dilma. A conferir até outubro.
* por Apolinário Ternes, historiador e jornalista – artigo publicado no A Notícia

