A diferença brutal de faturamento impulsiona a busca por formalização para garantir mais renda, crédito e segurança financeira no estado. Ter um número de registro ativo não serve apenas para regularizar a atividade perante o governo, mas funciona como a principal chave de acesso para emitir notas fiscais, fechar contratos com empresas de grande porte e conseguir linhas de crédito bancário com taxas de juros reduzidas.
O impacto da falta de registro nas áreas de comércio e prestação de serviços
A análise histórica de cinco anos mostra que, entre o janeiro, fevereiro e março de 2021 e o mesmo período de 2026, o rendimento médio dos empreendedores formais cresceu 28,9%, enquanto o dos informais avançou 20,7%. No entanto, o avanço nominal não foi suficiente para superar a inflação acumulada do período, estimada em 35%, o que provocou uma perda real no poder de compra em ambas as categorias.
O setor de serviços é o grande gargalo da informalidade, concentrando 42,2% de todos os negócios sem registro do país. Logo atrás aparecem a agropecuária, com 17,2%, o comércio e a construção civil, empatados com 16%, e a indústria, que responde por 8,5%.
O presidente nacional do Sebrae, o catarinense Décio Lima, reforça que incentivar a formalização é a única rota sustentável para fortalecer a economia das cidades. Segundo o dirigente:
— O empreendedorismo não floresce sozinho. Em qualquer lugar bem-sucedido do mundo, é o Estado de bem-estar social que atua como o principal indutor do mercado. Formalizar é proteger o negócio e incluir pessoas na economia —destacou o executivo.
Desproteção previdenciária: o perigo de ficar sem auxílio-doença, licença e aposentadoria
A diferença entre os dois mundos fica ainda mais evidente na proteção social da família. O estudo aponta que 78% dos empreendedores formalizados mantêm contribuição em dia com a Previdência Social. Já no grupo dos informais, a cobertura despenca para apenas 19,5%, deixando mais de 80% dos trabalhadores desprotegidos e sem direito a benefícios fundamentais como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
Apesar de a vantagem financeira ser gritante, a informalidade ainda domina o cenário brasileiro e afeta diretamente a economia local. Dos 30,2 milhões de donos de negócios contabilizados no país nos primeiros três meses deste ano, 19,4 milhões operavam sem CNPJ, o que representa cerca de 65% de todo o universo empreendedor.
Esse contingente informal enfrenta barreiras diárias para crescer, ficando de fora de licitações públicas, perdendo grandes clientes corporativos e ficando refém de empréstimos pessoais com juros abusivos.