As MPEs no desenvolvimento sustentável
Definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. Eis o objetivo da Rio +20, Conferência das Nações Unidas que acontece no Rio de Janeiro até o dia 22 de junho. Além de tratar de novos temas que surgiram nesses 20 anos, o encontro pretende avaliar o progresso e as falhas ocorridas nas decisões tomadas pelas cúpulas até então.
A Agenda 21, fruto da Rio 92, já chamava o segundo setor a ocupar o papel de parceiro dos governos, por meio da responsabilidade social empresarial e da necessidade de uma produção mais limpa. Desde então, as empresas vêm despertando para uma mudança de paradigma nos negócios, muitas vezes, por obrigação legal, mas também por visualizarem grandes oportunidades.
Hoje, o protagonismo das grandes corporações nessa caminhada é incontestável. A inserção da sustentabilidade na estratégia viabiliza a adoção de práticas sustentáveis em toda a cadeia produtiva, o que gera mudanças nos processos e no portfólio de produtos e serviços. Mas e as empresas de pequeno porte? Quais suas perspectivas diante de problemas e abordagens tão globais?
Segundo o “Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2010 – 2011”, publicado pelo Sebrae e Dieese, existem 6,1 milhões de micro e pequenas empresas (MPEs) no País, o que representa 99% do universo empresarial brasileiro.
É por isso que se faz urgente a inclusão desse segmento na agenda nacional do desenvolvimento sustentável, principalmente por meio da informação das oportunidades existentes, como a adoção de práticas sustentáveis, o acesso a novos mercados e aumento de receitas, a redução de custos e aumento da produtividade por meio da adoção de ferramentas de ecoeficiência e produção mais limpa, a redução de riscos (o cumprimento legal permite a licença de operação e a redução de passivos trabalhistas, por exemplo), a retenção de talentos, sem falar na imagem da empresa.
A estrutura simplificada e a facilidade de adaptação às mudanças são fatores que superam a capacidade financeira dos investimentos em ações sustentáveis. Até mesmo porque atualmente o capital, por meio de linhas de crédito que fomentam projetos na área, é de fácil acesso. O grande desafio para as MPEs é o despertar da consciência de que são agentes imprescindíveis – a base de toda a cadeia produtiva – e que somente adotando princípios da sustentabilidade permanecerão no mercado e promoverão a nova economia verde e inclusiva.
* por Luciana Assad Rupp da Silva, presidente do Instituto Ajorpeme, empresária, graduada em direito – luciana@orangeeventos.com.br / artigo publicado no A Notícia

