“Temos um dos piores sistemas tributários do mundo”, diz Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad , afirmou que a principal marca de sua passagem pelo comando da economia foi a aprovação da reforma tributária e classificou o atual modelo brasileiro como um dos mais problemáticos do planeta. Em entrevista na CEO Conference do BTG Pactual, Haddad defendeu que a dimensão da mudança ainda não foi plenamente desenvolvida.
“Eu acredito que não resta dúvida de que a coisa mais impressionante que foi possível fazer, porque concorreu tudou para isso, o Congresso Nacional, a equipe econômica, foi a reforma tributária.”
Ao explicar o diagnóstico, Haddad citou avaliação do Banco Mundial. “Hoje nós temos um dos piores sistemas tributários do mundo, atestado pelo Banco Mundial. A última avaliação nos colocava na posição 184 de 190 países avaliados. Uma posição vexaminosa.”
Segundo o ministro, a reforma não representa apenas simplificação, mas uma transformação estrutural na forma como o país tributa o consumo. “Eu acredito que não só com a emenda constitucional e as leis complementares aprovadas, como com o sistema operacional 150 vezes maior que o Pix, que já está em operação no Serpro, nós vamos saltar para um dos melhores sistemas tributários do mundo.”
Haddad destacou o grau de digitalização e transparência do novo modelo. “Não apenas com desoneração de investimento, desoneração de exportação, desoneração de bens essenciais como cesta básica, medicamentos e tudo mais, mas com o nível de transparência que vai ser dado para que o cidadão saiba exatamente qual está enviando sua contribuição no ato da compra.”
O ministro apresentou ainda instrumentos como pagamento parcelado e cashback como mecanismos inovadores que devem marcar a implementação. “A reforma tributária vai entrar para a história.”
O ministro percebeu que os governadores optaram por adiar parcialmente os efeitos da mudança, mas mantiveram a aposta na capacidade do novo sistema de melhorar o ambiente de negócios.
“Eu acredito que o Brasil vai se tornar cada vez mais destino de investimento estrangeiro em função das vantagens competitivas que já tem, mas sobretudo em função da reforma tributária.”
Na mesma linha, Haddad afirmou que a equipe econômica também é atuosa para corrigir distorções na tributação da renda. “Nós corrigimos inúmeras distorções do nosso sistema econômico, também com a tributação da renda em vários âmbitos, fundos que não eram tributados, de maneira como se encontraram de tributar dividendo, levando em consideração o imposto de pagamento pela PJ.”

