Uma declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, gerou forte repercussão entre profissionais da contabilidade em todo o país. Durante uma fala pública sobre políticas econômicas e a implementação da reforma tributária, o ministro afirmou que, atualmente, “há mais contadores do que engenheiros nas empresas brasileiras”, comentário que foi interpretado por representantes da categoria como uma possível desvalorização da profissão.
O tema ganhou destaque em entrevista concedida à Jovem Pan News Litoral pelo presidente do SESCON/SC, Felipe Abreu. Na conversa, ele destacou que a declaração causou preocupação entre os profissionais do setor, principalmente por demonstrar, segundo ele, desconhecimento sobre a relevância da contabilidade para o funcionamento da economia brasileira.
“Essa fala nos causa preocupação porque parece não considerar tudo o que a nossa categoria representa para o país”, afirmou.
Reforma tributária aumentará demanda por contadores
De acordo com Abreu, a nova reforma tributária será a maior transformação do sistema de impostos do Brasil nas últimas décadas e exigirá ainda mais dos profissionais da contabilidade, especialmente durante o período de transição.
Segundo ele, a mudança não reduzirá a importância da categoria. Pelo contrário, ampliará a necessidade de conhecimento técnico.
“A reforma vai exigir muito do profissional contábil. Durante a transição, que pode durar cerca de uma década, teremos que conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo. Isso significa mais trabalho, mais estudo e mais orientação às empresas”, explicou.
Contadores são essenciais para a arrecadação
Durante a entrevista, o presidente do sindicato também destacou a participação direta da categoria na arrecadação pública. Ele citou que a arrecadação federal de janeiro de 2026 bateu recorde histórico, chegando a cerca de R$ 325 bilhões.
“Nem um real dessa arrecadação acontece sem a participação efetiva de um contador. Somos os profissionais responsáveis por interpretar a legislação, orientar empresas e garantir que tudo seja feito corretamente”, ressaltou.
De função burocrática a papel estratégico
Outro ponto destacado por Abreu é a transformação da profissão nos últimos anos. Segundo ele, o contador deixou de ser visto apenas como um executor de rotinas fiscais e passou a atuar de forma estratégica dentro das empresas.
“O foco do contador é gestão e apoio à gestão empresarial. Com a reforma tributária, teremos ainda mais espaço para atuar com consultoria tributária e empresarial, ajudando as empresas a tomar decisões melhores”, disse.
Profissão em crescimento
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 500 mil profissionais da contabilidade, sendo aproximadamente 23 mil em Santa Catarina. Para Abreu, a tendência é que o mercado continue crescendo, impulsionado pela complexidade do sistema tributário e pelas mudanças que virão com a reforma.
“É uma profissão com muitas oportunidades e com participação direta na gestão dos negócios. Por isso continua atraindo novos profissionais”, afirmou.
Confira a entrevista completa:

