Em evento, Guedes volta a defender proposta de zerar IPI para ‘reindustrializar’ o país
Governo ampliou para 35% a redução no Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para uma lista de artigos. Segundo Guedes, o objetivo é levar o imposto a zero.

Paulo Guedes, ministro da Economia, sugeriu estender estado de calamidade em 2023 para pagar Auxílio Brasil de R$ 600 — Foto: Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo
O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu nesta quinta-feira (8) uma reindustrialização do país por meio do barateamento dos custos de energia e pela redução de impostos ao setor industrial.
Em evento do setor automotivo durante a tarde, Guedes afirmou que o Brasil passou por “três décadas de desindustrialização” e voltou a defender sua proposta de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) como alavanca de crescimento.
“São anos de juro alto, falta de crescimento, impostos excessivos, encargos trabalhistas excessivos, Custo Brasil, impostos sobre insumos básicos… O IPI você nem começou a produzir e já está devendo”, disse o ministro.
Em abril, o governo federal ampliou para 35% a redução no Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para uma lista de artigos, o que inclui os automóveis. Segundo Guedes, o objetivo é levar o imposto a zero.
Em geral, o IPI incide sobre os produtos industrializados, e o valor costuma ser repassado ao consumidor no preço final das mercadorias. O imposto possui várias alíquotas, que variam, em sua maior parte, de zero a 30%, mas que podem chegar a 300% no caso de produtos nocivos à saúde.
“Estamos comprometidos com a pauta, abaixamos para 35%, vamos levar para zero e reindustrializar o Brasil. Não quero câmbio lá embaixo, trazendo capital especulativo e tirando competitividade do Brasil”, disse Guedes.
‘O Brasil está perto e é amigo’
Além da questão tributária, Guedes exaltou a matriz energética brasileira — que definiu como “a mais verde e diversificada do mundo”. O ministro afirma que torná-la mais barata é fundamental para a competitividade da indústria.
“O Brasil é um gigante energético que fará a transição verde antes [dos demais países], e vamos tirar os impostos. Então, vamos fazer [na indústria] uma redução de encargos trabalhistas e retirar impostos sobre combustíveis, como estamos tirando”.
Guedes afirma que as mudanças são prioridade para o setor porque o planeta passa por uma reorganização das cadeias produtivas globais, e o Brasil teria os requisitos para se posicionar bem nessa procura por novos polos comerciais.
“A secretária Janet Yellen [do Tesouro dos EUA] diz o seguinte: dois requisitos para o futuro dos investimentos é que ninguém mais investe muito longe porque uma desorganização paralisa (…) E tem um segundo imperativo: tem que ser ‘amigo’. A Rússia está perto da Europa, mas são hostis. (…) O Brasil está perto e é amigo”, disse
“É uma oportunidade histórica com a desorganização das cadeias produtivas globais de emergir como um país de grandes recursos, como potência digital, uma potência energética, com energia renovável”, prossegue.
‘O Brasil está forte’
O ministro também criticou as propostas de adversários do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de outubro e reforçou sua tese de que os investimentos na indústria devem vir da iniciativa privada, apoiada nas concessões.
“Para ficarem confiantes no futuro do Brasil: nos pagaram R$ 150 bilhões de reais, quase US$ 30 bilhões, pelo direto de investir R$ 900 bilhões nos próximos 10 anos. (…) É 10 vezes o orçamento do Ministério do Desenvolvimento. Como se tivesse 10 Tarcisios [ministro da pasta] no setor privado, investindo todo ano”, disse.
Guedes afirmou que a criação dos programas de preservação do emprego (BEm) e do Auxílio Emergencial mantiveram a economia “pulsando” nos momentos de crise e que seu ministério modelou programas de crédito para setores da economia. “Estamos sempre conversando”, disse ele.
“Atravessamos a onda da maior crise sanitária da história, com desempenho melhor que várias economias avançadas, mais ricas”.
Sobre os dias atuais, o ministro disse que o Brasil “está bem, está forte”. “E lá fora? o mundo está em turbulência e vai piorar.”
“A América Latina está desmanchando. Está acontecendo no Chile, na Argentina, já aconteceu na Venezuela. Na Europa, o Banco Central Europeu acordou 1 ano depois. Dizíamos que estavam dormindo no volante…”
“É ruim para o mundo inteiro, mas diz muito sobre nós, brasileiros. Se ventar a favor, a gente vai remando. Senão, a gente vai também.”

