Em compasso de espera
Ao longo da semana, o g1 procurou empresas que desistiram de seus IPOs nos últimos anos, mas parte delas preferiu não comentar as estratégias. A Wine decidiu falar, e representa bem o sentimento geral do mercado.
Em meados de 2020, a empresa passou a se aproveitar de um momento de arranque histórico do mercado de vinhos no Brasil. As vendas da bebida explodiram nos anos iniciais da pandemia, quando o vinho ganhou destaque para os momentos de lazer em casa após o fechamento de bares e restaurantes.
Ao buscar as alternativas para levantar capital e expandir a empresa, um IPO chegou à mesa como possibilidade. A ideia inicial era se lançar à bolsa no fim de 2020, mas as eleições norte-americanas tumultuaram o mercado e trouxeram alguma insegurança aos sócios.
A saída foi manter a empresa com capital aberto, suspender o IPO e captar dinheiro por meio de debêntures. Foi assim que a empresa financiou a compra da importadora Cantu, investiu no lançamento de lojas físicas, ampliou o grupo de assinantes e partiu para o México como primeira expansão internacional.
Como a documentação está pronta, a Wine só espera um bom momento para listar na bolsa. Mas não deve ser logo.
“Não vejo janela clara para esse ano. Somos uma empresa média, imagino que as operações retornem com IPOs maiores. Quando esse extrato estiver organizado de novo, podemos voltar as discussões sobre o nosso”, diz Marcelo D’Arienzo, CEO da Wine.
Com os olhos já em 2024, o executivo diz que espera alguma arrumação do mercado brasileiro, também citando medidas como a aprovação do arcabouço fiscal e da reforma tributária. Mas, sobretudo, aguarda uma melhora do ambiente externo, com redução do patamar de juros nos Estados Unidos, para que o mercado de capitais destrave por lá também.
“Não sou pessimista com essa organização dos fatos. É só saber a velocidade em que isso tudo vai acontecer”, afirma D’Arienzo.
Experiência para o investidor
A outra face do IPO, o investidor, enfrenta um paradigma ao decidir se coloca seu dinheiro na abertura de mercado de uma empresa.
Ao mesmo tempo que o IPO pode ser uma oportunidade de pegar uma empresa em ascensão, também pode ser um momento de readequação dos negócios ou de valor de mercado elevado para retorno dos sócios e fundos de investimento.


