Relevância dos produtos feitos na China na economia de Joinville
Analisando os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) relativos ao comércio internacional do município de Joinville, observa-se que os negócios com a China foram os que mais cresceram entre 2005 e 2010, especialmente com relação às importações. Estas já correspondem a mais de 5% do PIB local.
De acordo com a Secex, entre 2005 e 2010, as importações totais de Joinville cresceram 558,34% e as procedentes da China, 1.023,19%. No mesmo período, as importações brasileiras cresceram 246,80% no total e as procedentes da China, 477,97%.
Em 2005, as importações da China feitas por empresas de Joinville representavam apenas 21,62% do total importado pelo município, e em 2010 essas chegaram a 42,33% do total.
Avaliando a relação de bens, em geral, importados pelas empresas do município de Joinville, não se percebe um grande destaque. São muitos produtos. Os dez principais representam apenas 28,61% do total importado, enquanto que os 40 que encabeçam a lista, em ordem decrescente de valor, ficam com apenas 51,91% do total. Quando, porém, se agrupam os produtos por categoria de uso, ficam mais claras as explicações para o extraordinário crescimento das importações do município. Entre 2005 e 2010, a importação de bens de capital cresceu 376,50%; de bens intermediários, 451,78% e de bens de consumo, 784,75%.
Em 2005, os bens de consumo representavam apenas 13,50% do total das importações de Joinville. Já em 2010, chegaram a 21,33% do total.
Aumentou, também, o número de empresas importadoras. Em 2005, apenas uma importava mais de 50 milhões de dólares e cinco, de 10 milhões a 50 milhões. Já em 2010, foram oito empresas com mais de 50 milhões e 18 importando de 10 milhões a 50 milhões de dólares.
Fica evidente, a partir dos números relacionados, buscados nos relatórios mensais da Secex, que as importações de Joinville cresceram muito mais do que as do Brasil, e, com relação aos produtos, também fica esclarecido que todos os grupos expandiram-se, mas com destaque para os bens de consumo. Por outro lado, a China ganhou um espaço relevante na pauta importadora do município.
E como se explica este fenômeno inquietante?
Muitas são as razões. Algumas bastante debatidas, como o câmbio e a infraestrutura. Mas existem outras questões estruturais. Tentando simplificar, pode-se dizer que o preço do produto chinês ou brasileiro depende de três fatores básicos: o custo do trabalho, o custo do capital e os impostos incidentes sobre o valor do produto. Não é necessário levar em conta o valor do produto intermediário, pois o valor deste é constituído a partir dos mesmos componentes. Assim, fica fácil demonstrar a competitividade dos produtos chineses no mercado de Joinville, sejam eles máquinas, componentes de outros produtos ou mesmo bens de consumo. Basta comparar o custo do trabalho na China com o de Joinville, o custo do capital, em especial o dos juros, e a carga tributária incidente sobre o produto. Assim, obviamente, a explicação fica fácil. Difícil mesmo é a solução, que exige reformas estruturais.
* por Wilmar Anderle, professor emérito da Univille / artigo publicado no A Notícia
