Queda brasileira em ranking de competitividade
Se as expectativas da indústria brasileira dependessem apenas do ranking anual de competitividade elaborado pela escola suíça International Institute for Management Development (IMD) haveria muito mais empresários pensando em transferir seus negócios para outros países. Afinal, derrubado pela queda na produtividade, aumento do custo de vida e piora na eficiência da economia, o País perdeu nada menos do que seis posições – estávamos no 38º lugar entre os 59 países analisados, caímos para o 44º.
O ranking, visto com seriedade pelo mundo financeiro – o IMD é considerado a 5ª melhor escola de administração do mundo pelo “Financial Times” –, mostra um Brasil perdendo posições para México, Filipinas, Itália e Peru, além dos Emirados Árabes, que surgem pela primeira vez na pesquisa e já no 29º lugar. Na América Latina, ficamos em quarto lugar, atrás do Chile, que ocupa a honrosa 25ª posição, México e Peru.
A Fundação Dom Cabral é a responsável no Brasil pela compilação dos dados enviados à escola, e seus estudos apontam também os principais desafios para aumentar a competitividade. Destaque para “assegurar o controle sobre os gastos do governo e reforçar investimentos em infraestrutura física e tecnológica”.
As lideranças empresariais têm sugerido providências, entre elas, o ajuste nas taxas de juros – inclusive pela redução do spread bancário, além do ajuste fiscal, da reforma política, da seriedade com as contas públicas. Dados do IMD indicam que o Brasil é o país com maior diferença de eficiência entre setores público (55º) e privado (29º).
O professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, disse que os números brasileiros devem servir de alerta. E chamou a atenção para o aumento do crédito, que está endividando o consumidor. Além disso, a alta da inflação, que já começou a ser sentida no ano passado, a valorização do câmbio e a perda da eficiência na produção são fatores que podem acenar tempos difíceis. A desindustrialização do País é uma ameaça real.
Nem a notícia do crescimento do emprego, que aparece como um dos principais dados do estudo, representa muita coisa. Como disse Arruda, o Brasil cresceu em empregos no ano passado, mas isso teve impacto negativo na produtividade e eficiência – porque os postos eram em atividades de baixo valor agregado.
Não há outro caminho para a economia brasileira, portanto, que não seja o de enfrentar com eficiência os desafios representados pelo câmbio, pelos juros, pela estrutura e cargas tributárias, e pela perda de competitividade da produção industrial. Muito mais do que ajustes técnicos, o País precisa de vontade política para corrigir sua rota, desonerar a produção, reduzir o crescimento dos gastos públicos correntes, aumentar suas taxas de poupança e investimento, para garantir um crescimento acelerado e constante.
* por Carlos Rodolfo Schneider, coordenador do Movimento Brasil Eficiente / artigo publicado no A Notícia

