Qualidade de vida no trabalho
Na semana em que se comemora o Dia Internacional do Trabalho, penso que é pertinente levantar algumas questões relativas à relação do homem com o trabalho.
Não se pode negar que a existência do trabalho e o justo pagamento por ele constituem-se na melhor política social que uma sociedade pode alcançar. A crise vivida por países como Itália, Portugal, Espanha e Grécia, onde o número de falências de empresas é assustador, gerando altos índices de desemprego, tem criado um caos social e levado, inclusive, ao desespero do suicídio por parte de empresários e trabalhadores. Essa é a clara demonstração da importância social do trabalho.
Mas voltando ao cenário brasileiro, podemos aprofundar o olhar para dentro das relações de trabalho. É como aplicar a escala hierárquica do psicólogo Maslow ao trabalho. À medida que se tem as primeiras necessidades atendidas – economia aquecida, emprego e salário justo – é próprio do homem criar novas necessidades. Ainda que se fale muito nas organizações sobre ergonomia, segurança no trabalho e saúde ocupacional, o que já é muito importante, vem nascendo no Brasil um novo debate que trata da qualidade de vida no trabalho, fomentado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A Universidade de Brasília (UnB) é uma das pioneiras nos estudos sobre esse assunto e tem revelado a necessidade de ouvir os trabalhadores sobre o seu conceito sobre o que seria qualidade de vida no trabalho, contrapondo-se aos programas que não colaboram para a melhoria da qualidade de vida. A isso, o professor-doutor Mário César Ferreira, do departamento de psicologia social e do trabalho da UnB, denominou de “ofurôs corporativos”, pois muitas atividades oferecidas cumprem apenas a missão de relax do trabalhador.
Dentro dessa concepção, o que traria mais qualidade de vida no trabalho seriam as alterações de condições materiais e de relações de poder. Na sua grande maioria, percebe-se que o mercado (público ou privado) ainda contrata a mão de obra do trabalhador – o homem físico. Em número menor , algumas contratam a mão de obra e o cérebro – o homem físico e pensamento/inteligência. Em número ainda muito reduzido contratam-se mão de obra, cérebro e coração – homem físico, mental e emocional.
Considerar e avaliar qualidade de vida no trabalho significa compreender outras variáveis do trabalho e o homem como um ser racional e emocional e integrar essas duas dimensões, sem mencionar aqui a dimensão espiritual, característica do trabalhador brasileiro.
Importante ressaltar nesse debate o papel dos representantes sindicais, dos empresários, dos organismos governamentais de regulação e fiscalização, além, é claro, de todos os trabalhadores. Podemos juntos avançar no alcance de mais qualidade vida no trabalho, afinal, se o trabalho é necessário e dedicamos boa parte de nossa vida a ele, é justo que queiramos agregar a ele maior qualidade de vida.
E para você: o que é qualidade de vida no trabalho? O que traria mais qualidade de vida para o seu trabalho?
* por Marcia Alacon, assistente social / artigo publicado no jornal A Notícia
