Feedback: uma das ferramentas mais poderosas do líder
Sabemos que muitos líderes sentem arrepios quando o assunto é “feedback”, e até fogem dele. Isso ocorre porque já tiveram alguma experiência ruim, ou porque desconhecem o potencial que esta ferramenta proporciona. O feedback é uma das ferramentas mais poderosas de gestão, que possibilita o estreitamento das relações, o conhecimento das pessoas, e o mais importante, permite ao líder a possibilidade de analisar todas as necessidades de desenvolvimento das suas equipes.
Mas o que é feedback? Feedback é uma ação que revela os pontos positivos e negativos de um trabalho executado, tendo em vista sua melhoria. Através do fornecimento de informações vindas de uma análise baseada no senso crítico e não no senso comum, ele é o parecer sobre uma pessoa, ou grupo de pessoas, com o intuito de avaliar seu desempenho. Sendo assim, feedback não é uma opinião que expresse um sentimento ou emoção, nem queixa, bronca, conselho ou mesmo lição de moral.
Pesquisas comprovam que informações inadequadas são a principal causa de mais da metade dos problemas de desempenho humano. Melhorando a qualidade e a precisão das informações que as pessoas recebem, é possível melhorar o desempenho em até 20 a 50%.
Mas o que as pessoas precisam obter de informações para melhorar sua performance? Primeiro, elas precisam de informações que lhes deem uma direção, ou seja, precisam compreender a missão de sua empresa, sua estratégia de negócios e o que para esta empresa “constitui” o bom desempenho. Segundo, elas precisam de informações que confirmem essa direção. Precisam de medidas, metas e objetivos que possam utilizar para monitorar e obter feedback sobre seu desempenho no dia-a-dia.
Não vamos neste artigo explorar o que é o processo de Comunicação, mas já vimos que seu uso inadequado é dos principais problemas enfrentados quando se espera engajamento e desempenho. O que precisamos saber é que a essência do feedback é a conversa. Não existe feedback sem observação, diálogo e acordo, ou seja, sua prática exige um bom processo de Comunicação. E é justamente para isso que ele serve, para garantir que houve sucesso no processo de comunicação.
Nas organizações este processo tem sido usado como uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento de pessoas, ou seja, para retroalimentar as pessoas com a consciência de seu comportamento e impactos nos resultados e nas suas relações.
Acredite ou não, os funcionários querem e precisam de feedback. Sem ele, não conseguem ter a visão da sua performance. A filosofia de alguns líderes ainda é: “Se você não tiver notícias minhas, é porque está tudo bem. ” Mas que Deus ajude este funcionário no dia em que ele tiver notícias deste líder! Não seria muito melhor se a prática do feedback fosse contínua? Aí ninguém ficaria supondo se seu nível de desempenho está satisfazendo ou até excedendo as expectativas da empresa, ou melhor, deste líder.
A prática do feedback, nada mais é do que a crítica, que deve ser construtiva, visando oportunizar os ajustes ao longo do caminho, como ação de desenvolvimento contínuo, contribuindo para incentivar a comunicação aberta e a transparência, ao invés de esperar para fazer isso após receberem uma avaliação quando já não há mais o que fazer.
A crítica é parte fundamental do processo que visa orientar as pessoas a apresentarem comportamento e desempenho adequados a uma determinada situação, e a todo momento, estamos recebendo retornos, seja no dia-a-dia, de forma informal, de pessoas com quem nos relacionamos, ou formalmente, de pessoas que tenhamos relacionamentos profissionais, auxiliando-nos no desenvolvimento de novas habilidades. Quem nunca deu um feedback a um filho sobre seu comportamento, ou recebeu de seus pais alguma orientação sobre determinado assunto, que eles julgavam necessários para uma conduta adequada?
Toda crítica, ou feedback que recebemos em relação àquilo que realizamos é de essencial importância para nosso aprendizado e crescimento. Ela permite que modifiquemos nossa maneira de encarar e lidar com determinados assuntos e ideias, e trabalhemos com mais empenho se necessário, em busca de melhores resultados.
Pessoas bem-sucedidas valorizam as críticas que recebem de seus líderes, subordinados, colegas, clientes, fornecedores, e aprenderam a utilizá-las em proveito próprio. Essas pessoas, na verdade, até mesmo as buscam. Igualmente, reconhecem a necessidade e a importância de tecer críticas, mas fazendo-o sempre de maneira a potencializar desempenhos e relacionamentos, ou seja, o fazem de forma construtiva. A capacidade de criticar construtivamente, de saber receber críticas e utilizá-las em proveito próprio é fundamental, não apenas no ambiente de trabalho, mas também nas relações sociais e familiares.
O feedback, quando bem utilizado, pode de maneira clara e construtiva demonstrar as oportunidades de melhoria da pessoa e incentivar os progressos alcançados.
O Feedback deve dar informação sobre um comportamento passado, entregue no presente, e que deve influenciar um comportamento futuro.
Assim, podemos considerar o feedback como uma dinâmica ferramenta de desenvolvimento. Dinâmica porque depende do cenário e momento que a pessoa está, Ferramenta porque existe uma técnica estruturada, e de Desenvolvimento porque impulsiona para um plano de ação.
Este processo envolve orientação e acompanhamento para que a pessoa, além de preservar e maximizar seus pontos fortes, também promova mudanças de comportamento, melhora de seu desempenho e alcance de seus objetivos.
O feedback está intrinsecamente vinculado ao processo de aprendizagem e na possibilidade de aquisição de novos conhecimentos, no aprimoramento do comportamento e do desempenho. Ele é usado não apenas para corrigir comportamentos, mas para reforçar positivamente os que estão corretos. “O Feedback é um incentivo para mudar”.
Mas aqui cabe uma reflexão…. É possível mudar comportamento?
Sim, com certeza! Nós seres humanos, sempre queremos aprimorar. Gostamos da superação, dos desafios, de melhorar nossa performance independente do cenário que atuamos.
Porém o simples fato de sabermos que estamos sendo avaliados nos gera certo receio, e até um pouco de desconforto se não estivermos habituados à técnica. Ouvir as avaliações, aceitar nossas deficiências, enxergar nossos gaps, analisar nossas fraquezas e trabalhar nossos erros exigem maturidade e reflexão. Porém falar do outro exige respeito, responsabilidade e tranquilidade. Em ambas as posições, o equilíbrio emocional é fundamental.
Para dar um feedback devemos minimizar ao máximo as questões subjetivas, pois nós trazemos conosco nosso conhecimento, emoções, sentimentos, pensamentos, suposições, opiniões e significados particulares de linguagem que podem impactar negativamente em nossa comunicação e consequentemente no entendimento adequado da mensagem e nas informações que queremos transmitir. E para tanto, os dois lados, quem dá e quem recebe Feedback, devem se preparar para extrair ao máximo as oportunidades que a ferramenta possibilita.
Concorda que o Feedback é uma das ferramentas mais poderosas do líder?
Marineusa Santos é Psicóloga, Coach e Consultora em Gestão Estratégica de Pessoas.

