As instituições funcionam
A contragosto de alguns, principalmente entre os envolvidos no escândalo do mensalão, que levaram de assalto os cofres públicos, mediante contratos fajutos entre banqueiros espertos e dirigentes partidários coniventes com corrupção, o Supremo Tribunal Federal (STF) está fazendo o dever de casa. Motivados pela opinião pública, que não aceita que o processo seja postergado, os ministros estão realizando sessões destinadas a estabelecer o cronograma do maior julgamento dos últimos tempos. Os crimes cometidos pelos mensaleiros são um passeio pelos dispositivos da legislação penal brasileira.
O relatório produzido pela Polícia Federal, nas suas mais de 300 páginas, demonstra, claramente, o uso de dinheiro público para a compra de votos no Congresso. O Ministério Público Federal, na peça acusatória, lista os seguintes crimes: formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta e evasão de divisas. A investigação policial resvalou para outros crimes, como o do assassinato do ex-prefeito petista Celso Daniel, de Santo André. Os esforços dos ressentidos, dos meliantes da coisa pública e dos áulicos de aldeia, em querer transformar o esquema de corrupção formado por Marcos Valério e seus vários cúmplices numa farsa, não se sustenta por um minuto. Quando do depoimento do publicitário Duda Mendonça, na CPI dos Correios, assumindo que recebeu milhões de dólares no exterior para quitar contas de campanha do PT e aliados, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convertido à verdade, concedeu entrevista afirmando que: “Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis (…) o PT deve desculpas ao povo brasileiro”. Essa admissão de culpa do ex-presidente não durou por muito tempo, pois, mais à frente, aconselhado por um famoso advogado, passou a vender caro que o mensalão não foi mais do que uma tentativa de golpe da oposição e da imprensa que desejavam derrubá-lo da Presidência.
Aos fatos: durante a crise do mensalão, um Lula abatido e acuado pelos acontecimentos designou um dos seus principais ministros que procurasse a oposição para que não levasse adiante o pedido de seu impeachment, uma vez que o País não suportaria mais um processo de afastamento de um governante. Lula chegou a sugerir que não se candidataria à reeleição em troca de não se levar adiante o tal impeachment. Alguns protagonistas dessas conversas estão bem vivos, como o ex-ministro Antônio Palocci e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A oposição, acreditando que Lula cairia em descrédito, encampou o enredo proposto pelos governistas. Ninguém até hoje desmentiu o teor dessas conversas. Lula – no papel de vítima – deu a volta por cima e se reelegeu presidente. Mas o fantasma do mensalão está aí, assombrando os réus.
Genial e polêmico aos extremos – foi trotskista e enveredou depois para a direita – Paulo Francis está fazendo falta no jornalismo político. Mas, para quem deseja reviver Francis, saíram em livro, “Diário da Corte”, algumas de suas crônicas publicadas em jornais.
O idiota imperfeito, com sinais exteriores de quem continua abusando do capim e da alfafa às refeições, acredita que pautará este articulista.
* por Nilson Borges Filho, cientista político e professor / artigo publicado no A Notícia

