Poupança: o que mudou e por que mudou?
De longe, a poupança é a modalidade de investimento mais popular no Brasil. Ela foi criada em 1861 por Dom Pedro 2º para receber as pequenas economias das classes menos abastadas e assegurar, sob garantia do governo, o resgate do valor aplicado quando solicitado, corrigido por juros de 6% ao ano. Pelas regras do Banco Central do Brasil, boa parte do dinheiro que é aplicado na poupança deve ser destinada ao financiamento imobiliário. E isso é de suma importância para o desenvolvimento do País.
Os poupadores são remunerados mensalmente a uma taxa de juros de 0,5%, aplicada sobre os valores atualizados pela taxa referencial (TR). Isso significa que, na média, a remuneração da poupança fica entre 6% e 7% ao ano. A grande vantagem dessa aplicação é que ela é isenta de Imposto de Renda. A desvantagem é que ela rende apenas no aniversário e, se você precisar do dinheiro antes, não terá o rendimento naquele mês.
De fato, a poupança é fácil de entender. Por isso é tão popular. E por que o governo quer alterar as regras? Em 2009, o governo propôs ao Congresso a cobrança de IR sobre o rendimento da poupança. A medida não foi votada, mas os rumores de que as regras da poupança mudariam ficaram no ar. O governo vem baixando a taxa básica de juros, conhecida por Selic. Essa taxa é quanto o governo paga de juros para quem aplica em títulos públicos federais. A Selic é definida pelo Banco Central e, nesse momento, está fixada em 9% ao ano. Por meio dos títulos públicos, o governo capta dinheiro para se financiar e os investidores recebem a taxa como retorno.
A ideia do governo é baixar a Selic para reduzir o custo da dívida pública e favorecer o crescimento, estimulando o consumo e o crédito. Mas caso a taxa Selic seja fixada em um patamar abaixo de 8,5% os investidores terão uma opção mais rentável que é a própria poupança, uma vez que sobre os investimentos em títulos públicos há cobrança do Imposto de Renda.
Ele quer evitar que o dinheiro dos títulos públicos migre para a poupança, prejudicando o financiamento público. Por outro lado, juros menores podem sustentar o crescimento. Por isso, o governo alterou as regras de remuneração da poupança. A partir de agora, para os novos depósitos, se a taxa Selic for igual ou ficar abaixo de 8,5%, a poupança pagará 70% dessa taxa mais TR.
Os poupadores precisarão reavaliar as novas aplicações da caderneta. Uma dica é migrar a aplicação para títulos públicos através do Tesouro Direto. Essa aplicação também é garantida pelo governo e rende mais do que a poupança, mesmo com as atuais regras e já considerando o desconto do Imposto de Renda. A aplicação inicial em títulos públicos gira em torno de R$ 200.
* por Leandro Corrêa, empresário e agente de investimentos / artigo publicado no AN Jaraguá

