IMFs de Santa Catarina
Instituições microfinanceiras (IMFs) são agentes de crédito constituídas sob a forma de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos. Dadas essas características, os lucros apurados após o resultado operacional de sua atividade são revertidos para a instituição.
Em Santa Catarina, são 18 agências apoiadas pelo Badesc e Caixa, provedores estes de recursos com o objetivo de mantê-las em funcionamento, pois um dos mecanismos para processar a inserção social é apoiar as iniciativas de autoemprego individual ou coletivo,por meio da oferta de crédito a segmentos mais carentes. Por isso, diz-se que as instituições de microcrédito democratizam o crédito.
Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank de Bangladesh e Prêmio Nobel da Paz em 2006, declarou que o microcrédito vem sendo avaliado mundialmente como uma das estratégias mais efetivas no alcance dos “objetivos do desenvolvimento do milênio”. Isso demonstra o importante papel dessas agências de fomento, pois, quando o empréstimo é bem conduzido, gera renda e emprego.
Uma pesquisa recente feita com as IMFs de SC demonstrou que realmente têm importância socioeconômica de destaque, pois atendem a aproximadamente 38 mil pessoas empreendedoras e empresas de pequeno porte. Com os recursos emprestados, já criaram 300 mil novos empregos desde a suas fundações em 1999.
O objetivo desta pesquisa foi o de averiguar a correlação entre adoção de práticas de gestão com resultados e desempenho social nas IMFs de todo o Estado. Contudo, o estudo não encontrou evidências de trade-offs, como normalmente seria de se esperar, e essa conclusão se apresentou de modo independente da questão de adoção de práticas recomendadas de gestão para IMFs.Também não foram encontradas evidências capazes de sustentar a expectativa teórica de que a adoção de um maior número de boas práticas recomendadas de gestão se associasse de modo consistente com um melhor desempenho organizacional. Significa dizer que a aplicação das boas práticas de gestão, no caso estudado, não é garantia de bons resultados no estudo em questão; há outras variantes desconhecidas a serem consideradas.
É necessário frisar que estudos existentes sobre o assunto em nível mundial também não oferecem – até o momento – resultados conclusivos.
* por Ivo Santino Casett, mestre em engenharia de produção e professor – santinocasett@terra.com.br / artigo publicado no A Notícia dia 10 de junho de 2012

