Conhecer e saber cuidar do meu dinheiro
Na atualidade a predominância é da economia de mercado, que se trata um modelo capitalista no qual exige cuidado especial com o dinheiro e com as finanças pessoais. A globalização financeira e os processos tecnológicos dividem o mundo em dois grupos, os incluídos e os excluídos dos negócios; na prática uma pessoa sem poder de compra esta excluída, por não ser nem vendedora e nem compradora. Segundo o economista norte americano Milton Friedeman não há almoço grátis e quando existe algo de graça não é por muito tempo, na verdade dentro desse sistema alguém sempre acaba pagando por aquela conta, porque tudo tem custo e preço.
Notoriamente, ninguém cuida e gosta de algo que não conhece. Em função da monetarização da economia o dinheiro requer um tratamento e cuidados diferenciados. Neste sentido, é premente conhecer e disseminar o conceito e função da denominação genérica do meio de pagamento mais comum em praticamente todos os países, qual seja: o dinheiro, que é conceitualmente definida como uma unidade de troca e medida de valor; A moeda é a mais antiga representação do dinheiro e tem basicamente quatro funções; a primeira serve como unidade facilitadora de troca, a segunda é medida de valor, a terceira função é acumular valor e por último a propriedade de pagar dívida futura.
Uma maneira simples de compreender a importância do dinheiro no mercado é fazendo uma analogia com o sangue ou com a água. Quando num braço ou numa perna de um ser humano ocorre à ausência do sangue este membro acaba gangrenando e força uma amputação para não complicar todo o corpo. A falta de água em qualquer região do planeta também provoca desertificação e o fim da vida naquele local. Por analogia poderá ser utilizados os dois exemplos para facilitar a compreensão da ausência do dinheiro em qualquer local. A diminuição do volume ou ausência de circulação do dinheiro afeta os negócios e atinge mortalmente a economia de mercado.
O comércio integra um sistema que depende da circulação do dinheiro para sobreviver, quanto maior a capacidade de compra das pessoas melhor a economia e mais vivo o mercado. O grande problema é que o dinheiro é uma medida de valor representativa do poder de troca da pessoa e automaticamente facilitadora de negócios. Cambiar requer obrigatoriamente duas partes possuidoras de algo, se por acaso uma pessoa não possui qualquer coisa para efetivar a troca ela está automaticamente fora do processo. Por este motivo que o mercado é excludente.
O cuidado com as finanças pessoais e com o controle do dinheiro é o caminho correto para que uma pessoa possa mensurar seu poder de troca e sua inserção no mercado. O sistema econômico vigente reconhece à pessoa basicamente por sua capacidade de comprar ou de vender e quanto mais clara a visão, o controle e o conhecimento financeiro pessoal, melhor o poder de negociação e conseqüentemente satisfação das necessidades e desejos.
O controle é importante visto que o sistema procura vender sempre mais e utiliza estratégias de marketing para aguçar o desejo humano, influenciando o mesmo na compra de algo que ainda que não necessite ou que não tenha condições financeiras. Os publicitários exploram o conflito humano entre desfrutar agora ou cuidar do futuro, conforme descreve Eduardo Giannetti na contracapa do seu livro “O Valor do Amanhã”:
“Desfrutar o momento ou cuidar do amanhã? {…} O cérebro humano é formado por circuitos modulares que não estão perfeitamente integrados. A perspectiva concreta de gratificação imediata de certos desejos ativa uma região do cérebro – o sistema límbico – que demanda pronta satisfação, sem se importar com o amanhã. Mas a impaciência de curto prazo não é tudo. O primata impulsivo que nos agita em segredo tem um adversário à altura: o córtex pré-frontal, que pondera os prós e os contras de diferentes escolhas e não se deixa levar com facilidade pela sedução do momento. Se a atração pelo prazer do momento {…} ata-nos ao presente, os cuidados com o amanhã imaginado {…} elevam-nos ao futuro.”
Administrar os conflitos oriundos dos desejos provocados por uma sociedade consumista requer vontade, disciplina e bons métodos, ou seja, educação financeira. Existe um grande número de material disponível na internet que possibilita o aprendizado suficiente para administrar o ímpeto consumista, ademais existem também bons livros publicados sobre o tema. Um dos materiais que se recomenda é o livro “Tudo sobre meu dinheiro”, uma obra do Professor Edson Rovina, Elias Nicoletti e Gilberto Raul. Um verdadeiro projeto de educação financeira que versa sobre todos os mecanismos necessários na gestão pessoal das finanças preparando o indivíduo para enfrentar um mercado voltado exclusivamente para o consumo.
* por Osmar Arcanjo, economista, mestrado em direito internacional, especialista em gestão de pessoas, professor universitário – do blog http://osmararcanjo.blogspot.com.br/

