Por que empresas estão gastando milhões para proteger seus CEOs

As ameaças contra altos executivos chegaram a um nível sem precedentes e fizeram empresas de mídia, entretenimento e tecnologia aumentarem significativamente os gastos para proteger seus principais líderes. Em alguns casos, as despesas com segurança de CEOs mais que triplicaram em um ano.
Um dos episódios mais recentes envolveu Sam Altman, CEO da OpenAI. Às 3h45 da madrugada de 10 de abril, um homem se aproximou da cerca da residência do executivo e lançou um coquetel molotov caseiro contra a casa. O artefato bateu na residência e ninguém ficou ferido, mas o episódio levou Altman a publicar uma foto com o marido e o filho recém-nascido ao relatar o caso.
O ataque ganhou grande repercussão, mas está longe de ser um episódio isolado. Segundo o Security Executive Council, ataques físicos e cibernéticos documentados contra altos executivos já haviam dobrado, até 31 de outubro de 2025, o total registrado no ano anterior.
Empresas gastam milhões para proteger executivos
Os números mostram como o risco passou a pesar nos orçamentos corporativos. Disney e Netflix gastaram US$ 1,8 milhão (R$ 9,16 milhões) cada em segurança no ano passado, alta superior a 30%.
Na Amazon, os gastos chegaram a US$ 1,7 milhão (R$ 8,65 milhões), crescimento acima de 50%. Já a Warner Bros. Discovery desembolsou US$ 3,2 milhões (R$ 16,29 milhões), mais de 200% acima do ano anterior.
Na visão de especialistas em segurança, o aumento não tem uma única causa. Inflação e viagens mais frequentes dos CEOs depois da pandemia também encareceram os programas. Ao mesmo tempo, cresceram os casos de ameaças feitas por ex-funcionários descontentes, consumidores irritados e pessoas afetadas pelas decisões das companhias.
O assassinato de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, em dezembro de 2024, foi apontado como um divisor de águas. Segundo o Security Executive Council, o caso levou empresas e executivos a reavaliar riscos não apenas para os próprios líderes, mas também para suas famílias e patrimônios.
Fama aumenta o risco
A exposição pública é outro fator determinante. Executivos como Mark Zuckerberg, da Meta, e Elon Musk possuem equipes de segurança comparáveis às utilizadas por algumas autoridades de Estado. Mas o risco também alcança dirigentes de empresas de mídia.
Fox, por exemplo, afirmou em documentos corporativos que sua atividade envolve a cobertura de eleições, eventos sociopolíticos e controvérsias públicas, assuntos que podem provocar fortes reações de espectadores e críticos.
A Disney também citou os riscos específicos enfrentados por Bob Iger, que deixou o cargo de CEO em março, sendo sucedido por Josh D’Amaro. Já a Fox e a Meta destacaram que Lachlan Murdoch e Zuckerberg são figuras diretamente associadas às respectivas empresas.
Para Sid Kosaraju, presidente da empresa de gestão de riscos Crisis24, a fama funciona como um multiplicador de risco e exige uma abordagem diferente daquela usada para executivos com pouca exposição pública.
O que entra na conta da segurança
Os valores divulgados pelas companhias podem, inclusive, não representar todo o custo dos programas. Despesas com carros e motoristas, jatos corporativos e proteção dentro de escritórios, estúdios ou durante viagens de trabalho muitas vezes ficam fora dos números publicados.
Entre os principais gastos estão profissionais de segurança posicionados nas residências e equipes que acompanham os executivos. Também entram sistemas de alarme, câmeras, cercas, drones, janelas blindadas e softwares capazes de monitorar redes sociais, internet e bases públicas em busca de possíveis ameaças.
O custo é muito superior à média registrada entre as empresas do S&P 500. Segundo a Institutional Shareholder Services (ISS), o valor mediano dos benefícios de segurança para CEOs do índice é de cerca de US$ 94 mil (R$ 478,46 mil).
Para empresas de mídia, entretenimento e tecnologia, porém, a proteção pode chegar a milhões de dólares. Conselhos de administração consideram o gasto uma forma de reduzir o risco de interrupção das operações e proteger o valor da companhia.
Especialistas esperam que as despesas continuem crescendo à medida que as ameaças se tornam mais complexas, a exposição dos executivos nas redes sociais aumenta e a desigualdade de renda alimenta o ressentimento contra os mais ricos.
Fonte: Times Brasil

