Desconstruindo estereótipos de gênero na área contábil
Por Juh Círico
A área contábil não está imune aos desafios sociais que permeiam nossa sociedade. O machismo, opressão contra identidades femininas, encontra espaço na contabilidade, área historicamente masculina e masculinizante e que reproduz ainda hoje, na maioria das vezes, a imagem da identidade associada a profissão contábil, referente ao homem, cisgênero, contador e empresário.
Neste artigo, apresento uma forma de abordar e analisar como o machismo se manifesta na área contábil, destacando os impactos negativos que isso pode ter, tanto para profissionais da contabilidade mulheres trans, mulheres cis e travestis, quanto para o progresso da profissão contábil como um todo.
Sub-representação de identidades femininas
Uma das manifestações mais evidentes do machismo na área contábil é a sub-representação de Identidades Femininas (Mulheres trans, mulheres cis e travestis) em cargos de liderança. Embora haja avanços nas últimas décadas, as identidades femininas ainda enfrentam barreiras para ingressar e progredir nesse campo, principalmente as mulheres cis, trans e travestis negras e com deficiência. Questões culturais e estereótipos de gênero muitas vezes limitam as oportunidades de carreira para identidades femininas contabilistas, impactando para um desequilíbrio de gênero.
Fato este que, desde 1946 no Brasil, de 23 mandatos para a presidência do Conselho Federal de Contabilidade até 2023, apenas 2 mandatos foram presididos por uma mulher cisgênero de 2006-2009 e 21 mandatos foram presididos por homens cisgêneros. Além disso, atualmente, quanto às presidências dos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC) mandatos de 2024-2027, de 27 Unidades Federativas/Presidências, apenas 10 são presididas por mulheres cisgêneras. Nunca houve a presença de mulheres transgêneras, travestis, homens transgêneros e pessoas não-binárias nas presidências do CFC e dos CRCs no Brasil.
Dificuldades no avanço profissional
Identidades Femininas contabilistas frequentemente enfrentam dificuldades ao buscar ascensão profissional. A falta de representatividade em cargos de liderança, combinada com preconceitos implícitos, pode resultar em uma desigualdade salarial persistente e atrasos na progressão na carreira. O machismo pode se manifestar em práticas de promoção que favorecem homens cisgêneros, muitas vezes baseadas em estereótipos e preconceitos.
Cultura organizacional e machismo
A cultura organizacional desempenha um papel crucial na perpetuação ou combate ao machismo na área contábil. Ambientes de trabalho que toleram piadas sexistas, comentários inadequados e discriminação de gênero impactam negativamente para a perpetuação do machismo. Empresas que não adotam políticas claras contra o assédio e discriminam a diversidade de gênero podem perpetuar desigualdades.
Conciliação entre vida profissional e pessoal
As identidades femininas contabilistas muitas vezes enfrentam o desafio adicional de equilibrar as demandas da vida profissional e pessoal. Pressões sociais e expectativas tradicionais muitas vezes recaem sobre elas, dificultando a busca de equilíbrio entre carreira e família. A falta de políticas de licença parental adequadas e práticas flexíveis de trabalho pode contribuir para a perpetuação do machismo na profissão.
Mudança necessária
Diante do exposto, combater o machismo na área contábil requer uma abordagem multidisciplinar. As empresas devem promover uma cultura inclusiva, investir em políticas de Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento (DEIP), além de criar oportunidades de mentorias e desenvolvimento para identidades femininas contabilistas. A conscientização sobre os impactos prejudiciais do machismo na profissão é crucial para iniciar conversas e impulsionar mudanças.
O machismo na área contábil é um desafio real que não pode ser ignorado. A promoção ao respeito e equidade de gênero é uma questão de justiça social, e uma forma de impulsionar a inovação e o sucesso empresarial. Ao reconhecer e enfrentar o machismo, a profissão contábil pode evoluir para se tornar mais inclusiva, equitativa e representativa, proporcionando benefícios tangíveis para todas as pessoas profissionais envolvidas.

Juh Círico
Travesti (ela/dela/she/sher) Doutoranda em Ciências Contábeis


Sou contadora em São Paulo a mais de 20 anos, meu esposo também contador e Diretor por anos em entidades contábeis, já frequentei dezenas de eventos, centenas de palestras, e alguns congressos. Meus clientes na maioria são homens e confiam no meu trabalho e da minha equipe, nunca me deparei com esse tipo de machismo na classe contábil. Muito pelo contrario, as mulheres em muitas vezes são a maioria em muitos do encontros de negócios. No meu escritório atualmente as mulheres estão se destacando nos Departamentos, muito mais preocupadas em aprender, prestar um serviço com qualidade do que perder tempo com necessidade de se destacar mais que homens, aqui somos uma equipe formada por homens e mulheres independente de qualquer gênero, uns ajudando e aprendendo com os outros.
No meu Estado, temos dezenas de mulheres profissionais da contabilidade, que não têm esse mi mi mi. Nossa Presidente do CRCSC é uma mulher, nossa Secretária de Fazenda Municipal é uma mulher, tenho dezenas de colegas donas do seu próprio escritório de contabilidade, que empregam homens, mulheres, homosexuais, etc. No meu escritório elas ganham igual ou mais que os homens. Não consigo enxergar dessa forma. Essa pauta está cansativa – machismo malvadão – machismo estrutural e em muitas das vezes, prejudicam ainda mais a “identidade feminina”. Penso que a segregação é tão pior quanto o machismo em si.
Caramba Shirley, você me representou ! rsrs Quanto mimimi meu Deus do céu…rsrs Agora tem machismo contábil? Precisa avisar aqui a minha esposa, ela é mulher viu? Ela iniciou comigo há mais de 20 anos como recepcionista, evoluiu até alguma Chefia, estudou contabilidade, habilitou-se ao CRC e há anos é sócia aqui do escritório contábil. Majoritária, diga-se ! E eu tenho o maior orgulho disso, de ter acompanhado aqui o progresso profissional dela, por mérito próprio. Hoje é ela quem comanda o escritório contábil aqui, 100%, azar dos meus três filhos que também trabalham aqui. Pior ainda, eles são homens…rsrsr e aém disso a segunda pessoa aqui na hierarquia do RH é mulher, na área Fiscal idem ! Doutoranda Juh, como todo respeito, não aproveitei praticamente nada do seu artigo, muito bem elaborado e bem redigido, todavia de conteúdo praticamente nulo, e que passa bem longe do principal conceito profissional em que sempre me apoiei: a meritocracia. Acho eu que a evolução profissional independe do gênero, da cor, etc.esse blá bláblá vitimista segregacionista, mas depende sim do seu estudo técnico, seu empenho e sua dedicação ao ofício escolhido. Comigo foi assim, com a minha esposa também, coma maioria das pessoas que conheço e conheci. Uma ex-colaboradora saiu daqui pra fundar o próprio escritório, muito bem sucedida por sinal. Nas entidades contábeis conhecemos muitas e muitas mulheres exemplares na profissão. Digo mais: Elas são MAIORIA, elas merecidamente dominam a maioria dos ambientes contábeis em que atuam. Eu acho ótimo, acho que as mulheres deviam dominar o mundo, e não só o nosso tão querido mundinho contábil. Sinceramente Juh, quanto besteirol, vitimismo, auto-preconceito, a meu ver sem propósito esse papo de machismo na área contábil hein, mais uma pauta chata, outra decoreba esquerdista sem pé nem cabeça… Dá pra notar pelos termos utilizados, a decoreba da pauta esquerdalha que só convence os militantes doutrinados mesmo… O mundo real é diferente Juh.
Por fim, quando se inclui os portadores de deficiência no mesmo debate, no mesmo balaio e sob mesmos argumentos chatos vazios e vitimistas dessas minorias que se dizem segregadas e querem privilégios (chamam de políticas…rsrs) aí já se tem desonestidade intelectual, posto que, em relação a portadores de deficiência é evidente e justo o cabimento de tais políticas. Porém reitero, a meu ver, nem mulher, nem homem, nem trans, nem preto (eu inclusive!) nem binários, motoristas de uber, corintianos, etc etc não são portadores de qualquer deficiência, portanto não há que se falar em cotas, benefícios ou privilégios de qualquer espécie apenas em função de condição e/ou opção sexual, né?