Plano de carreira: como estas PMEs incentivam a progressão de colaboradores

Busca pelo equilíbrio cultural não é raro para empresas que passam por longos processos de fusão e aquisição – Foto: RoboAdvisor via Pixabay
A busca pelo equilíbrio cultural não é raro para empresas que passam por longos processos de fusão e aquisição.
Encontrar o balanceamento entre as políticas e práticas já adotadas pela empresa compradora, sem deixar de lado filosofias da empresa adquirida, é o que leva muitas companhias a criarem práticas do zero, de modo que os funcionários se sintam pertencentes a um único modus operandi.
Manter a unidade cultural é um dos desafios encarados pela Sinqia, empresa de tecnologia para o mercado financeiro.
Adquirida em novembro de 2023 pela gigante porto-riquenha Evertec, a Sinqia tem desde então adaptado projetos derivados da empresa-mãe, tornando cada um deles mais factível à realidade do mercado brasileiro — onde a empresa já conta com mais de 2 mil funcionários.
Um deles é o programa de capacitação contínua e progressão de carreira aos colaboradores.
Chamado de NextGen, o programa foi criado em 2021 com o objetivo formar a nova geração de líderes da Evertec.
Foram, ao todo, 44 participantes. Em 2024, estabeleceu seus pilares no Brasil, e também passou a contemplar novos mercados como Argentina, Chile, Uruguai e Costa Rica, totalizando 48 participantes — 24 apenas no Brasil.
“É um programa com foco em capacitação e exposição. Queremos mostrar que é possível construir jornadas de carreira promissoras”, afirma Márcia Drysdale, diretora de RH da Sinqia.
Para participar do programa, membros da equipe são indicados por suas lideranças diretas, que avaliam desempenho, alinhamento cultural e performance para identificar os perfis mais promissores de futuros líderes.
Durante dois anos, os selecionados contam com mentorias individuais, formação executiva em uma escola de negócios e até mesmo indicações de leitura do próprio CEO.
De acordo com Drysdale, a nova formatação do programa, junto ao número crescente de participantes no Brasil, comprova que é possível que empresas de menor porte criem suas próprias políticas de capacitação, incentivando a construção de planos de carreira aos funcionários.
“Somos responsáveis por toda oportunidade que eles tiverem ao longo desses dois anos, da participação em projetos à exposição interna para alçarem novas posições”, explica.
“No final do programa, em geral, a ideia é que essas pessoas estejam melhores e mais preparadas para o futuro. E nós, como empresa, ajudamos a desenhar essa carreira em conjunto”.
Tarefa de PME
O exemplo da Sinqia vai na contramão da lógica comum ao mercado, que pressupõe que carreiras de longo prazo são limitadas às grandes empresas e multinacionais, principalmente devido ao custo de implementação de tais programas.
Benefícios como a redução de turnover e o aumento no engajamento impulsionam, cada vez mais, empresas de pequeno e médio porte (PMEs) a desenharem seus programas de planos de carreira e progressão ao time.
Contudo, a complexidade desses programas, a necessidade de um RH estruturado, com processos de feedback e promoção azeitados, e a necessidade do investimento em plataformas específicas são entraves comuns.
Consequentemente, essas barreiras pode ser impeditivas para que empresas de menor porte sejam associadas a programas de capacitação contínua e até mesmo a ajuda na construção de planos de carreira.
Segundo Guilherme Luz, CEO da Galena, startup de desenvolvimento de carreira, criadora de uma plataforma de educação que também atende startups e pequenas empresas com mais de 200 mil cursos de capacitação profissional, contornar esses desafios e fazer com que nas PMEs também invistam em talentos a longo prazo depende da percepção de que é um investimento estratégico, e não um custo operacional.
“A chave está em simplificar e tornar o desenvolvimento parte da cultura da empresa. As PMEs podem adotar práticas ágeis e acessíveis, como mentorias, feedbacks contínuos e trilhas de desenvolvimento que não exijam investimentos pesados”.
Fonte: CNN
