
Em um mundo cada vez mais digitalizado, os golpes virtuais evoluem na mesma velocidade que a tecnologia. Um exemplo disso é a nova versão do conhecido golpe da “Mão Fantasma”, que reapareceu com força ao explorar aplicativos legítimos de acesso remoto, amplamente utilizados desde a pandemia. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) voltou a reforçar o alerta à população sobre esse tipo de fraude, que se vale da engenharia social para enganar os usuários e obter controle total sobre seus dispositivos móveis ou computadores.
Como funciona?
No golpe, o criminoso se apresenta como funcionário do banco e informa à vítima que sua conta foi invadida ou sofreu movimentações suspeitas. Para “resolver” o problema, ele envia um link e orienta a instalação de um aplicativo, geralmente de acesso remoto, como AnyDesk, TeamViewer ou similares. Esses aplicativos, que se tornaram populares no home office, permitem que, com autorização da vítima, o golpista controle completamente o aparelho, incluindo acesso a aplicativos bancários, senhas, e mensagens privadas.
Segundo Walter Faria, diretor-adjunto de Serviços da Febraban, “o banco nunca entra em contato com o cliente solicitando a instalação de qualquer aplicativo. Ao receber esse tipo de ligação, desligue imediatamente e entre em contato com os canais oficiais da instituição, sempre utilizando outro aparelho.” Ele reforça que os aplicativos bancários são extremamente seguros, disponíveis apenas nas lojas oficiais como a Google Play Store e a App Store, e nunca exigem que o usuário forneça dados sensíveis por telefone.
Usuários
A fragilidade, na maioria dos casos, está no próprio comportamento do usuário. Muitos armazenam senhas em blocos de notas, mensagens de WhatsApp ou utilizam as mesmas combinações em diversos sites e aplicativos. Isso abre brechas que os criminosos exploram facilmente quando obtêm acesso remoto ao aparelho.
Para enfrentar esse cenário, os bancos associados à Febraban investem cerca de R$ 5 bilhões por ano em tecnologia da informação com foco em segurança. Esse montante representa aproximadamente 10% de todo o investimento do setor em TI. As medidas incluem sistemas robustos de criptografia, autenticação biométrica, tokenização e uso de inteligência artificial para monitoramento e prevenção de fraudes.
Além do investimento em tecnologia, campanhas permanentes de conscientização vêm sendo promovidas nas redes sociais, agências e canais digitais dos bancos. A Febraban mantém o portal antifraudes.febraban.org.br com dicas e orientações práticas para os clientes se protegerem.
A atuação do setor também se dá em conjunto com órgãos de segurança. Desde 2015, a Febraban é parceira da Polícia Federal por meio da Operação Tentáculos, uma cooperação técnica voltada à investigação de fraudes eletrônicas bancárias. O esforço já resultou em mais de 60 operações deflagradas, incluindo casos como Boleto Real, Creeper e Valentina, evidenciando o compromisso das instituições financeiras com a repressão ao crime cibernético. A mensagem é clara: segurança começa com informação. Em tempos de sofisticação dos golpes digitais, a atenção do usuário é tão importante quanto os firewalls e sistemas criptografados que protegem os dados.
