Em análise divulgada, a XP avaliou que as perspectivas para a inflação continuam desafiadoras.
“As leituras recentes do IPCA mostraram núcleos de inflação ainda elevados e resistentes; o mercado de trabalho continua apertado, apesar de alguma acomodação recente; e as expectativas de inflação de médio prazo estão em alta, se afastando das metas”, informou.
A expectativa do mercado financeiro é de que a taxa de juros comece a recuar somente em novembro deste ano, quando passaria para 13,25% ao ano. A projeção é de que a Selic termine 2023 em 12,75% ao ano.
Cenário
A reunião do Copom dessa semana acontece em meio a tensões no sistema financeiro global, com a quebra de bancos nos Estados Unidos, como o SVB e o Signature Bank, além da forte crise com o Credit Suisse — que foi comprado pelo grupo suíço UBS Group por US$ 3,2 bilhões.
A turbulência no mercado financeiro, com risco de que a crise se espalhe pelo mundo, gerou uma discussão nos bancos centrais sobre os recentes aumentos nas taxas de juros. A avaliação é que juros altos estão gerando problemas de liquidez nas instituições financeiras.
Segundo o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews e colunista do g1, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que, além da nova regra para as contas públicas, que está em fase final, a crise no mercado financeiro mundial pode antecipar a queda da taxa de juros no Brasil.
O BC autônomo, comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, foi novamente alvo de ataques nesta semana do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também foi acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
O que dizem analistas
Em meio a esse cenário, o mercado financeiro acredita em manutenção dos juros, mas a expectativa maior é pelo comunicado que será divulgado no dia da decisão e, também, pela ata da reunião dessa semana – que sairá na próxima terça-feira (28).
A ansiedade é sobre as indicações que o BC dará sobre os próximos passos da taxa básica de juros, ou seja, se haverá sinalização de que poderá cortar a taxa Selic nos próximos meses.
Até então, o BC tem informado em documentos oficiais que se manterá “vigilante”, indicando que deve manter os juros elevados por um “período suficientemente prolongado” de tempo para conter a inflação. E não afastou, até o momento, a possibilidade de voltar a subir a taxa Selic.
Segundo o economista André Perfeito, o BC não deve sinalizar corte de juros “em breve” mesmo com a crise bancária, o que pode indicar aumento das tensões com o governo.
“Não precisa ser um grande estrategista político para saber o que o Planalto e o PT irão colocar toda sua artilharia sobre o BCB e aqui temos o grande problema”, avaliou, em comunicado.
Ele lembrou que, em 2022, houve um superávit primário nas contas do governo (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida) de R$ 54 bilhões, ou cerca de 0,5% do PIB. E que, para este ano, deve ser registrado um déficit ao redor de 1,5% do PIB, equivalente a R$ 150 bilhões. Ou seja, um aumento de recursos na economia de cerca de R$ 200 bilhões de um ano para o outro.
“A gente está com inflação na casa de 8% ao ano [núcleos de inflação], está com a economia rodando próxima ao pleno emprego. Em cima disso tudo jogam um caminhão de demanda de politica fiscal [aumento de gastos]. Quer que a política monetária [definição dos juros pelo BC para conter a inflação] faça o que”, questionou Alexandre Schwartsman.
Consequências de juros altos
De acordo com especialistas, juros elevados têm vários reflexos na economia, entre os quais:
- Aumento das taxas bancárias: a tendência é que novos aumentos também sejam repassados aos clientes. Em 2022, os juros bancários subiram 8,2 pontos percentuais, mais do que o aumento registrado na Selic.
- Redução do consumo da população e afeta os investimentos produtivos, impactando negativamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda. Em 2022, o PIB cresceu 2,9%, abaixo da expansão de 5% registrada no ano anterior.
- Despesa adicional com juros da dívida pública: em 2022, a despesa com juros somou R$ 586 bilhões. Na porcentagem do PIB (5,96%), é o maior patamar desde 2017. Juros altos pressionam a dívida pública que, se muito elevada, pode interferir nos investimentos.
- Aplicações em renda fixa, como no Tesouro Direto e em debêntures, passam a render mais: em 2022, as vendas de títulos públicos por meio do Tesouro Direto bateu novo recorde.
Fonte: G1

