Demanda por ações da Eletrobras já supera R$ 40 bilhões, o que garante privatização
Essa demanda será ainda abastecida com recursos do FGTS, que também é alta, de acordo com gestores de fundos
A Eletrobras já possui demanda necessária para vender suas ações na oferta que marcará sua privatização, de acordo com diversas fontes do setor. As ordens feitas por grandes investidores já superam R$ 40 bilhões, valor que praticamente garante o sucesso da capitalização (em torno de R$ 35 bilhões)
A oferta foi lançada na semana passada e, desde então, a administração da companhia e os bancos estão em ritmo acelerado de reuniões com investidores para definir o preço da ação, que será anunciado na próxima quinta-feira. O valor da ação depende justamente do apetite dos investidores.
Por se tratar de uma privatização, o Tribunal de Contas da União (TCU) exige que haja um preço mínimo para a venda das ações. Mas esse valor é mantido sob sigilo. Isso quer dizer que a oferta só acontecerá se os investidores aceitarem pagar um preço acima do que foi estabelecido como piso. Há demanda para isso, de acordo com fontes do mercado.
A oferta da Eletrobras tem atraído forte apetite de fundos locais e internacionais, o que deve viabilizar a operação. Essa lista inclui fundos como o Canada Pension Plan Investment Board, Itausa e GIC (ligado ao governo da Cingapura). Chama atenção, porém, o pouco interesse de gestores de ativos de geração nessa lista.
Os chamados investidores-âncora, fundos que se comprometem com a compra de grandes fatias da oferta, podem colocar entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões, dependendo de demanda e preço. Essa ancoragem dá segurança à Eletrobras de que haverá um patamar mínimo de preço.
A privatização da Eletrobras é a maior desde a venda da Telebras, ocorrida em julho de 1998. Além disso, é a maior capitalização na Bolsa brasileira desde a megacapitalização da Petrobras em 2010 (que sustentou os investidores da empresa no pré-sal).
Os coordenadores da oferta são BTG Pactual (líder), Bank of America (BofA), Goldman Sachs, Itaú BBA, XP, Bradesco BBI, Caixa, Citi, Credit Suisse, JPMorgan, Morgan Stanley e Safra.
Na precificação, os investidores estão considerando ainda um deságio relativo ao aporte de R$ 1,5 bilhões da subsidiária Furnas na hidrelétrica de Santo Antônio (RO) e dos riscos com relação à indenização às transmissoras, em discussão na Aneel e parte importante da receita das empresas Eletrobras.
Folha de Pernambuco


