Por outro lado, Dunn afirma que os funcionários fora do centro de atendimento, que podem trabalhar de forma flexível, ultrapassaram as metas.

“Nessas áreas da empresa, os funcionários se saíram extremamente bem, excedendo os indicadores e as projeções de receita”, diz ela.

Ou seja, “ficamos com uma situação que não é homogênea”.

Em vez de adotar ou rejeitar diretamente a semana de quatro dias, Dunn prorrogou a duração do teste no Citizens Advice até maio. Mas ela indica que, a menos que a equipe do centro de atendimento atinja os objetivos definidos, é improvável que a semana de trabalho mais curta se torne permanente em qualquer setor da empresa.

“Temos 220 funcionários. Não posso imaginar oferecer quatro dias para alguns, e não para outros”, afirma.

“Vai além do tamanho, as dificuldades em relação à semana de quatro dias surgem com a complexidade da empresa — quando você tem diferentes formas de operar e oferece serviços variados.”

Visão de longo prazo

Assim como o Citizens Advice, a Waterwise e a Trio Media também estão prorrogando seus testes.

“Seis meses não parecem ser suficientes para tomar uma decisão permanente”, afirma Claire Daniels, da Trio.

“Queremos sentir a situação ao longo de um ano inteiro e garantir que a produtividade permaneça alta.”

Outras empresas que participaram do programa-piloto decidiram eliminar a semana fixa de quatro dias e oferecer uma maior flexibilidade de forma geral.

É o caso da agência de criação Amplitude, de Northampton, na Inglaterra. A CEO da empresa, Jo Burns-Russell, tornou a semana de quatro dias opcional: os funcionários agora cumprem uma jornada flexível e reduzida de 35 horas semanais, que pode ser dividida em quatro ou cinco dias.

“Depois do teste, cada funcionário queria fazer a semana de trabalho mais curta de forma diferente”, afirma.

“Em vez de definir um dia de descanso, é melhor deixar que as pessoas escolham o que funciona melhor para elas. Somos uma empresa ágil com uma equipe de 12 pessoas, e funciona bem.”

Em vez de um esquema fixo de quatro dias, Abigail Marks, professora de futuro do mercado de trabalho na Escola de Negócios da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, acredita que esse modelo de semana de trabalho reduzida e flexibilidade pode oferecer ganhos maiores aos funcionários.

“Sem reduzir a intensidade das cargas de trabalho e combater o excesso de trabalho de forma mais abrangente, a semana de quatro dias em massa traz o risco de intensificar cargas de trabalho que já são excessivas”, avalia.

“O dia de trabalho de seis horas pode ser mais eficaz do que a semana de quatro dias entre as empresas que são capazes de adotá-lo.”

E, embora nem todas as empresas do teste tenham adotado o modelo de forma permanente, o sucesso geral do programa-piloto da semana de quatro dias indica que mais empregadores estão reconhecendo que a jornada de trabalho tradicional, das nove às cinco, não está funcionando, segundo Marks.

“É outro experimento no mundo do trabalho pós-pandemia”, diz ela.

“Mostra que as pessoas estão percebendo que a cultura de longas jornadas de trabalho não é saudável, nem sustentável.”

No momento, embora a semana de quatro dias possa ser uma experiência que valha a pena ser mantida de forma permanente em algumas empresas, pode não se tornar realidade para todas.

Mark Roderick, da Allcap, afirma que, se pudesse, reintroduziria a semana de quatro dias na sua empresa. Até os funcionários sobrecarregados aprovaram o dia a mais de descanso.

“Embora todos (os funcionários) pudessem ver o que estava acontecendo e estivessem sempre ocupados, ainda assim eles ficaram desapontados quando suspendemos o teste”, revela.

“Se pudéssemos contratar mais funcionários sem um grande aumento da nossa folha de pagamento, faríamos amanhã mesmo. Estávamos simplesmente com poucos funcionários para fazer com que funcionasse.”