Valor = respeito
Você sabe qual o valor do seu trabalho? O quanto seu cliente valoriza o que você tem a oferecer? Você já pensou que valor pode não ter nada a ver com dinheiro. Na disciplina de pós-graduação que venho estudando o termo valor recebeu algumas horas de uma boa discussão.
Diariamente desenvolvo um trabalho no qual preciso despertar a afinidade natural do meu usuário comigo. Minha atividade é baseada em um método composto por conceitos e técnicas para capacitar o aluno de ferramentas que podem ajudá-lo a ampliar e melhorar seu estilo de vida, bem-estar, aprimoramento pessoal e profissional.
Estabelecer um preço/custo das aulas, palestras é até relativamente fácil, basta relacionar os gastos, despesas com material, etc.. Mas quanto custa a minha hora/aula/humana, a informação e cultura que estou transmitindo? A informação, o conhecimento que estou passando? O bem-estar e retorno em qualidade de vida que ofereço pelo investimento feito pelo aluno? Ah, já isto é muito mais difícil. Por isso, valor, na minha opinião, pode significar o quanto uma coisa é digna de respeito, no sentido de ser considerada importante.
Valor é a percepção do resultado obtido pelo meu aluno durante e após as aulas, na sua rotina, na sua vida diária. Transmitir essa percepção é responsabilidade minha, devo saber criar essa relação do valor/respeito com o valor/preço. Justamente porque uma de minhas funções é oferecer qualidade de vida e se isso não for percebido meu trabalho foi em vão.
Tenho três pontos principais para deixar registrado nesse meu estudo.
Primeiro ponto principal
Observe os elementos de reconhecimento do valor: necessidade, utilidade, serventia, o ganho, etc.
Segundo o Dicionário Aurélio : Valor – medida variável de importância que se atribui a um objeto ou serviço necessário aos desígnios humanos e que, embora condicione o seu preço monetário, frequentemente não lhe é idêntico.
Eu tinha um pensamento de valor relacionado a preço e não à apreciação ou análise do julgamento, reconhecimento e respeito do cliente, apesar de sabê-lo não o havia entendido por completo.
Normalmente damos valor a algo que desperta admiração e respeito, e que tenha relevância para nossas vidas, utilidade, capacidade de satisfazer necessidades. Desta forma validamos e reconhecemos o valor das coisas.
Assim, para que algo seja valorizado vai depender muito dos seus atributos, ou seja, das qualidades que estão inseridas nele. Há um valor diferente para coisas diferentes e até mesmo iguais de acordo com o grupo social, de acordo com o ambiente e as situações. Se já é difícil criar valor para um objeto, imagina para algo que não se percebe a primeira vista como valioso?
Uma informação, por exemplo, o conhecimento sobre como distinguir plantas venenosas de comestíveis. Você recebeu este conhecimento há muito tempo no colegial, na época não tinha valor algum, parecia desnecessário, mas será valorizada caso um dia possa salvar a sua vida.
Então quanto vale o auto conhecimento, quanto vale a saúde? Quanto vale a pena investir hoje em bem estar, estilo de vida para economizar amanhã com remédios, consultas médicas, terapias e clínicas de recuperação? Cada um tem a sua resposta.
Segundo
Encontre o valor do que você faz e direcione o serviço/produto ao seu público alvo.
Além do serviço e produto que você está destinado a oferecer deve estar disposto a perceber o que o cliente entende como “valor”, o que ele ganha com a prestação do serviço ou a aquisição do produto.
Pode surgir uma falta de percepção de valor no uso de algo novo que a princípio parece não trazer utilidade e com o passar do tempo se torna imprescindível. Dar tempo ao tempo. Quando se percebe a melhoria ou o aperfeiçoamento de algo, dando mais importância, dando destaque positivo a tendência é de valorização. Assim, aumenta a possibilidade de ser valorizável, ou seja, torna algo mais suscetível de ter seu valor reconhecido ou aumentado.
Vai ter um valor de troca se tiver um valor de uso. Mas como perceber o uso? O valor dependerá da percepção do usuário e isso pode ser conseguido com a ajuda do prestador de serviço. Será ele que passará o quanto o uso de tal informação será útil. Quando se oferece algo a um público alvo a possibilidade de tal serviço ser valorizado é mais fácil de ocorrer, pois tal público já está mais preparado para receber e valorizar o que adquiriu. Afinal, era o que ele estava procurando, certo? Desta forma vai valorizar pois percebe a utilidade, ou seja, houve satisfação.
Muitos não percebem a valia de um livro, de um registro, o “papel” dele de guardar, organizar, comprovar a informação. considerando-o menos importante do que a informação que está nele. Mas sem o papel, o livro ou o arquivo como se obter a informação?
Daí a importância de um Centro Cultural, de uma biblioteca, dos arquivos históricos, museus, espaços culturais que geram informação, que resgatam e tem isso como o propósito: o cuidar da informação através da guarda dela, seja da forma que for, em livros, papéis, arquivos, tecnologia, objetos ou até mesmo pessoas que informam. Isso tudo são mais do que objetos guardados nas prateleiras e sim devem ser vistos como informação, cultura, conhecimento, história,etc..
Unidades de informação devem valorizar a si mesmas para serem valorizadas. Devemos sempre demonstrar ao usuário o que eles está ganhando, torná-lo consciente deste ganho, amparando-se em exemplos e situações reais.
Terceiro
É isso que dará sustentabildiade a empresa: a capacidade de criar valor e de sustentar o mesmo.
Algo valoroso é algo corajoso que tem ou demonstra ter coragem, destemor, bravura, que tem ou denota ter força, energia, capacidade de esforço. Por isso o profissional da informação deve estar apto, a auto estima deve estar presente para saber dar valor ao seu trabalho, demonstrando isso no atendimento e nos processos de entrega da informação.
A valoração é o ato de determinar a qualidade ou valor de algo. Expressamos isso ao oferecer nossa crítica e avaliação. Mais um motivo para atender o usuário demonstrando o quanto você valoriza tal serviço.
E isso tem muito a ver com respeito, pois só se respeita – valoriza – algo que é considerado bastante grande e, pelas qualidades que apresenta. Um objeto/serviço/pessoa recebe reverência – no sentido de atenção, respeito – quando inspira tal sentimento pelas virtudes, força e habilidade que representam, possuem ou parecem possuir.
Além disso, deve-se filtrar o público e saber direcionar o serviço/informação ao cliente, educando-o para uso de tal produto/serviço. Isso trará um melhor aproveitamento para ambos.
A relação social e cultural com a informação gera mais ou menor valor, ou seja é + ou – valorizada ou respeitada. Um mesmo produto como por ex. água pode mudar de preço dependendo do “valor necessidade” atribuído a ele em determinado momento: na praia, no bar da esquina, no deserto, com muita ou pouca sede.
Gerenciar os processos e fazer apenas o que realmente é útil ao cliente ou que se pretende oferecer de acordo com o público alvo: a hora da verdade.
Momentos de verdade – segundo o livro A hora da verdade de Jan Carlzon – constitui-se basicamente naqueles momentos em que você na presença do cliente se vê frente a um problema que precisa ser resolvido. A visão é de que cada empregado da linha de frente deva estar voltado para as necessidades dos clientes de maneira individual, treinado para que estejam habilitados a responder às necessidades especiais de cada pessoa com inicitaiva, rapidez e cortesia,
Interessante o pensamento do autor de que errar não era considerado importante, pois, segundo sua visão os erros geralmente podem ser corrigidos mais tarde. O tempo perdido por causa de uma decisão que não foi tomada nunca mais pode ser recuperado. Assim, como a oportunidade de ganhar um cliente fiel.
Conclusão
O que penso ser importante
1.Observe os elementos de reconhecimento do valor: necessidade, utilidade, serventia, o ganho, etc.
2.Encontre o valor do que você faz e direcione o serviço/produto ao seu público alvo.
3.É isso que dará sustentabildiade a empresa: a capacidade de criar valor e de sustentar o mesmo.
O essencial é realmente invisível aos olhos. E um pouco mais invisível é o valor que damos a ele. O livro de Beckwith, O Toque Invisível traz algumas ideias que valem a pena lembrar para se ter sucesso em nossas ações com os clientes. O autor dá um sentido humano ao preço quando diz: preste atenção ao que seu preço diz, preços altos não só falam como também incitam, o preço cria percepção e, depois, satisfação, quanto mais alto for seu preço, mais alta será sua qualidade percebida, o preço frequentemente é a desculpa, mas raramente o motivo para você ter perdido. Olhe mais fundo. Cobre pelo seu valor; não por hora.
Ao estabelecer valor, crie uma relação de respeito. Pense nisso.
* por Ariane Marques, coaching

