Tudo é uma questão de comportamento e oportunidade!
Tenho múltiplas tarefas profissionais. Uma delas é lançar, constantemente um olhar atento ao que acontece a minha volta. E é numa destas ocasiões, que vou me debruçar para considerar o comportamento que adotamos e as oportunidades que se apresentam.
Aconteceu numa feira de negócios, recentemente realizada. Uma instituição em parceria com alguns de seus cursos, instalou um estande para divulgar aos visitantes os direitos e os cuidados que o público tem como consumidor.
Quando passei pela primeira vez no estande observei duas pessoas: uma, no computador, fazia alguma coisa, mas sequer levantava os olhos para o público. O outro, em uma poltrona, com cara de quem comeu e não gostou. Puxei conversa – este é um dos meus comportamentos recorrentes, um vício, fazer o quê? As respostas foram superficiais e desinteressadas. Chegou uma terceira pessoa que também sentou – vou chamá-la de “senhora”, só para facilitar.
Saí dali bastante curiosa e, não satisfeita, fiquei de olho. A senhora começou a se mexer na cadeira, olhava em volta, parecia inquieta. Em um balcão, havia material impresso sobre o assunto. Então, ela pegou o material e se colocou na borda do estande, entregando folhetos, falando da presença de profissionais da área que poderiam esclarecer dúvidas. Ouvi obrigados e parabéns pela iniciativa. E ela foi ficando empolgada. Os folhetos foram acabando. Pediu a um dos outros que ali estavam que pegasse mais folhetos e os arranjasse sobre o aparador. Ele não sabia onde estavam. A senhora então abriu os móveis e, além de folhetos, encontrou balas e amendoim japonês, que colocou sobre uma mesa. Pediu que separassem os folhetos por tema e assim que a “sacrificante” tarefa foi realizada, suas poltronas os receberam de volta, seguros, como só a passividade é!
Três adultos. Dois num comportamento desinteressado, de passagem e indiferença. E eu imaginando porque aquela senhora não falava para eles: Olá! Gente! Vamos participar! Afinal, para que vocês estão aqui? Por que não pegava os folhetos, colocava na mão deles e “mandava”: circulem, falem com as pessoas! Omissão? Será que o comportamento dela não era autoexplicativo?
Penso neles no mercado de trabalho, e até é provável que já façam parte da “massa trabalhadora”. Como serão estes profissionais? Uma das minhas atividades é selecionar, desenvolver e cuidar da carreira e da sucessão de diversas empresas. E quando alguém senta na minha frente, sempre me questiono que “sujeito-agente” é este? Qual o seu o comportamento? E se é necessário dizer, pegar pela mão e conduzir? Pedir comprometimento? Esperar maturidade traduzida em proatividade, foco nas demandas da organização, capacidade de se desenvolver, aprender, ensinar, e formar novos profissionais?
As empresas geram emprego, colocam as cartas na mesa, integram as pessoas, explicam suas tarefas, treinam e desenvolvem, mas, de verdade, querem é ver até onde aquela pessoa é interessada, motivada, toma a frente, puxa os outros, vibra e corre riscos, dando ideias, se expondo! Pegando folhetos e os distribuindo pela vida afora! Isto mesmo, para sempre. Porque o que aprendemos hoje, nosso comportamento agora, nos acompanha para sempre. E sermos melhores é um exercício do querer e depende de cada um!
No mercado de trabalho, não contamos com pai e mãe dando a mão nem com professores que riem de nossos pequenos erros infantis, ou se omitem frente à prepotência dos acadêmicos. Nem com uma senhora que faz o que deveríamos, espontaneamente, estar fazendo! O mercado de trabalho é aquele bicho-papão que fica na espreita e que devora os incompetentes na medida em que os relega ao segundo plano, à mesmice das tarefas.
Senhoras e senhores, se desacomodem, façam a diferença, participem da vida, se orgulhem de seus papéis e, mais que tudo, compreendam que o crescimento é algo que pertence a cada um de nós em particular! Ou seja, as oportunidades estão por aí. Meio que resguardadas, às vezes até bem tímidas, mas todas prontas para serem descobertas. Só depende da nossa disposição em olhar em volta e encontrá-las!
* por Lise Chaves, consultora em gestão de pessoas / artigo publicado no A Notícia
