Segundo turno das eleições
No papel de liderança de entidades de defesa dos direitos humanos, cabe-nos a tarefa de promover a organização popular, ser agente de formação de opinião e de orientação da sociedade. Assim, durante os processos político-partidários e eleitorais, quando o tema em debate é de interesse público, é preciso destacar algumas questões.
Nas últimas semanas, as pessoas têm sido provocadas com mensagens de todo tipo que em nada colaboram com a construção de suas preferências eleitorais.
A baixaria que dissemina ódio e alimenta conflitos sobre temas importantes não é jogo adequado para processos eleitorais e não ajuda a consolidar uma sociedade democrática. Por isso, a “guerra de informação”, que tem sido produzida muitas vezes por autores não identificados e irresponsavelmente reproduzida por boa parte da mídia e pela internet, é ruim e não ajuda em nada. Diante disso, a melhor arma é buscar a informação segura.
A questão do aborto, por exemplo, demonstra que setores conservadores estão usando um discurso pseudorreligioso e falso moralista para influenciar de forma ilegítima o processo eleitoral. O que está em jogo de fato no atual debate não é o aborto e sim a democracia. Alguns candidatos não estão fazendo um debate social sobre o aborto, mas manipulando o tema, de forma maliciosa e eleitoreira.
Sobre questões de ordem religiosa, também o que ocorre é o uso escuso da posição religiosa como meio de expressar opiniões que em nada têm de religioso e muito menos de cristão. Aliás, as próprias autoridades religiosas de diversas confissões têm se manifestado publicamente para denunciar o uso indevido do tema no processo eleitoral, que viola a laicidade do Estado e promove o embate entre as diversas confissões religiosas. Os problemas de segurança pública também são tratados com leviandade, como se cadeia resolvesse tudo e pobre fosse “bandido”.
Por estas razões, nosso papel é estar com a maioria da população, com as vítimas das violações de direitos humanos e com os que são discriminados, ajudando-os a compreender o que está em jogo e, acima de tudo, indicando posições que somem forças para continuar a construção de um Brasil justo e democrático.
Como disse a escritora Simone de Beauvoir: “A ideologia da direita é o medo”. A frase, infelizmente, ainda é atual.
* por Cynthia Maria Pinto da Luz, advogada do Centro de Direitos Humanos de Joinville – cynthiapintodaluz@terra.com.br / artigo publicado no A Notícia

