Resposta para Publicitário
“O publicitário olha para o futuro; o contador faz contas com números do passado” Paulo Reginato, dono da Nova PEB – Pág 26, Coluna LIVRE.mercado, no jornal A Notícia de 30/09/2012.
Só pode ser considerada infeliz esta comparação. É possível que ela tenha origem: no desconhecimento desta ciência social chamada Contabilidade; na falta de utilização da Contabilidade em seus negócios; na frustração, no resultado de serviço prestado por algum Contador, criando para si conceito generalizado dos profissionais da Contabilidade. Ou até, deliberadamente, como forma de provocar uma discussão mais profunda sobre o papel, a importância e a interferência da Contabilidade no futuro da sociedade.
A Contabilidade Estratégica e Orçamentária, por exemplo, precisa de números presentes e alguns do passado para projetar cenários financeiros e econômicos futuros, traduzindo-os e apresentando-os na linguagem universal dos negócios: a Contabilidade. Isso mesmo, universal, pois as Demonstrações Contábeis construídas pelo Contador lidas em todo o mundo, em qualquer idioma. Pena que por aqui o interesse pela sua utilização e leitura ainda é pouco. E essas demonstrações apresentam ao mundo não só os resultados dos negócios mas, entre outros informes atualizados, em números reais, a importância social de cada empresa; é o caso da Demonstração do Valor Adicionado – DVA, que reflete, entre outras coisas, a aplicação social dos recursos financeiros produzidos pela empresa. A Contabilidade é tão importante que, além das obrigatórias por lei, outras empresas deveriam se conscientizar a apresentar suas Demonstrações Contábeis para a sociedade. Se a leitura e a interpretação destas Demonstrações fossem maior e levadas mais a sério, com certeza teríamos menos empresas falindo. Dá para entender porque a Contabilidade é uma Ciência Social ?
De qualquer forma, ainda que futurólogos não queiram, as referências que construímos hoje virarão passado amanhã, mas sempre que as precisamos, as invocamos. Olhar só para o futuro é o mesmo que dirigir na BR 101 sem olhar para retrovisor do carro; uma hora você pode provocar um grave acidente. O respeitado Publicitário usa o verbo no tempo passado para invocar as suas referências empresariais, como, “Trabalhei e fui sócio…” e “Em meio a contratempos, os ganhos da sociedade foram os negócios e a aproximação com o governo do Estado”. Aliás, entende-se que parte dos gastos milionários que os governos têm com a publicidade de suas obrigações, pagos com o nosso dinheiro, de fato vão ser os ganhos das empresas de publicidade. Por falar nisso, governo passado, bancos, empresas de publicidades e assaltantes engravatados inescrupulosos estão novamente na mídia, com notícias de seus julgamentos pelo que vergonhosamente fizeram no passado.
Torço para que o cenário vislumbrado pelo Publicitário para 2013 seja concretizado integralmente na sua empresa. Espero para que as suas previsões contrariem um conceito inadequado que ouvi certa vez numa destas palestras motivacionais : Economista é um cidadão que passa a metade de seu tempo prevendo o futuro econômico e financeiro das empresas e dos governos; na outra metade fica justificando os erros de suas previsões. Lembro que repudiei e até hoje repudio veementemente este conceito, completamente distorcido e arrogante.
Espero que bem no início de 2014 as Demonstrações Contábeis da empresa do Sr. Paulo Reginato estejam adequadamente fechadas, preferencialmente auditadas, e que sejam utilizadas para mostrar, mesmo que em números relativamente passados, o seu sucesso empresarial. Como Publicitário de renome e de sucesso será vergonhoso mostrar os resultados positivos de sua perfomance vencedora em uma planilha excel.
* carta de José Juarez Pereira, Orgulhoso Contador, com um passado de 25 anos como Professor no Curso de Ciências Contábeis da UNIVILLE


Vamos representar nossa classe,obrigada professor pelas sabias palavras