Qualificação e salário
No último dia 14 de dezembro, o projeto de lei que estabelece o Plano Nacional de Educação (PNE) foi apresentado pelo então ministro da Educação, Fernando Haddad. No plano, que deverá vigorar na próxima década (2011-2020), constam 20 metas que devem ser atingidas em todo o território nacional. Entre elas, destaco duas. O projeto objetiva que 50% dos professores da educação básica sejam formados em nível de pós-graduação lato e stricto sensu. Tal meta é muito significativa, uma vez que um dos problemas está relacionado à formação dos professores.
Privados da educação continuada, professores estão enfrentando, solitariamente, situações complexas de ensino e aprendizagem, bem como de gestão da sala de aula e de conflitos, sem ter as ferramentas teóricas e práticas que lhes proporcionem condições de intervenções mais eficazes.
Saber como o aluno aprende, criar situações de aprendizagem, saber avaliar por meio de instrumentos corretos e mobilizar o grupo e/ou a classe para realização de um projeto educacional coletivo não são tarefas fáceis. Elas precisam ser realizadas por profissionais bem formados, que não podem ser substituídos por pessoas que tenham apenas boa vontade de ensinar.
Outra meta que enfatizo diz respeito à valorização do magistério público da educação básica, com a finalidade de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério ao dos demais profissionais.
A questão da valorização do magistério é essencial para que os professores possam realizar suas tarefas com a dignidade merecida. É evidente que apenas oferecer um salário maior não irá comprometer nem tampouco qualificar o corpo docente. Isso juntamente com políticas de avaliação externa de docentes, discentes e gestores, que indiquem intervenções técnicas de nossos gestores públicos, a fim de dar grandes saltos na qualidade da escola pública.
Ao final, fica uma pergunta que há tempos não consigo responder: por que um professor pode valer menos do que seus demais colegas profissionais de outras áreas?
* por Francisca Romana Giacometti Paris, diretora pedagógica / artigo publicado no Diário Catarinense

