Passaporte para a cidadania
No primeiro semestre do ano, a economia brasileira experimentou uma forte expansão, com destaque para o primeiro trimestre, quando o PIB cresceu 2,7%. Ainda que esse ritmo não tenha se mantido ao longo do segundo trimestre, quando o movimento da economia perdeu intensidade, o crescimento do PIB em 2010 deve alcançar os 7%.
O consumo das famílias continua sendo o principal fator de recuperação da economia, mas o aspecto altamente positivo do primeiro trimestre foi o desempenho dos investimentos, cujos níveis retornaram aos do período pré-crise. A CNI estima um crescimento de 24% para a formação bruta de capital fixo, dado que, se confirmado, levará os investimentos para uma participação de 19% no PIB do ano, ampliando a capacidade produtiva e, ainda mais, o potencial de crescimento. Sabemos que há uma estreita correlação entre crescimento e investimento.
No âmbito da oferta, a maior alta foi na indústria (4,2%) e é sobre os seus efeitos que queremos comentar, para dizer que o crescimento da indústria favorece o crescimento do País. Sempre que a indústria cresce, o Brasil cresce. E isso é particularmente verdadeiro em Santa Catarina, que possui uma estrutura industrial diversificada e sólida.
Acontece que o bom desempenho da indústria não é importante apenas porque promove o desenvolvimento econômico, mas, sobretudo, porque aumenta as possibilidades de geração de emprego. É justamente isso o que está ocorrendo em 2010, ano em que a indústria está liderando o crescimento.
Com efeito, no primeiro semestre, o Brasil criou quase 1,5 milhão de novos empregos com carteira de trabalho assinada, dos quais 394 mil na indústria de transformação (+ 5%) e 230 mil na indústria da construção civil (+10%), totalizando 624 mil novas vagas, o que representa 42% do total gerado. Em Santa Catarina, o desempenho foi ainda melhor: do total de 66 mil novos empregos criados, 38 mil foram abertos na indústria de transformação (+ 6%) e 5 mil na indústria da construção civil (+ 6%), totalizando 43 mil e elevando a participação para 65% de todos os empregos criados no período.
E por que isso é tão significativo? Porque o que confere cidadania ao jovem e ao pai de família não é o título de eleitor e, sim,a carteira de trabalho assinada. Esta, sim, é o verdadeiro passaporte que garante ao trabalhador o seu sustento e da sua família e a sua inclusão na sociedade. O diploma do trabalhador é a sua carteira de trabalho.
Santa Catarina tem dado um bom exemplo. Segundo dados recentes do Sine-SC, o Estado é o primeiro no ranking que mede a relação entre a população e o número de emprego formal. De fato, em 2009, a relação de emprego (CLT) por habitante em SC foi de 26%, contra 25,2% de São Paulo, 23,2% do Distrito Federal, 20% do Paraná e 19,6% do Rio Grande do Sul.
Mais do que uma boa, é uma feliz notícia. Mostra, de um lado, a consciência dos empresários com a necessidade de formalização das relações de trabalho e com a formação e qualificação dos trabalhadores. E, de outro, que está crescendo o número de trabalhadores catarinenses que estão conseguindo o seu título de cidadania, representado pela carteira de trabalho assinada.
* por Glauco José Côrte, primeiro vice-presidente da Fiesc / artigo publicado no A Notícia

