Os novos desafios da logística internacional
Esta semana, finalmente, foram concluídas as obras de reconstrução do Porto de Itajaí, parcialmente destruído pelas enchentes de 2008. Foram investidos R$ 350 milhões para dragagem de aprofundamento e reconstrução dos berços 1 e 2. São obras essenciais para manter o bom sistema logístico de Santa Catarina. Agora, Itajaí fica com quatro berços de atracação e apto a receber navios de grande porte, com calado de até 14 metros.
Se tudo correr dentro do previsto, em janeiro de 2011, portanto daqui a dois meses, Santa Catarina terá um novo mapa em seu sistema portuário. Itapoá começará a operar efetivamente em janeiro, e o complexo de Itajaí e Navegantes já estará totalmente reconstruído.
Falta ao Estado, de forma particular, entender a necessidade do próximo passo. É fundamental pensar as necessidades logísticas dos dez anos seguintes. Primeiro, nossos portos precisam de um plano factível de aumento da capacidade de movimentação de cargas. Uma das consequências desse aumento será, evidentemente, a construção de mais berços de atracação. São obras caras e demoradas. A China faz essas obras projetando os próximos 20 anos.
Temos que seguir o exemplo e começar, já, a criar berços de atracação para o boom de importações e exportações que o Brasil passará na próxima década. Ao lado de dois ou três emergentes, o Brasil será um dos líderes do mundo de 2050. Essa conclusão trará, fatalmente, uma efervescência do comércio exterior.
Mas não se faz comércio exterior sem projetar o futuro. Por isso, a necessidade de mais berços e áreas de atracação. Alguns estudos recentes apontam necessidade futura de 20 a 50 novos berços no País. Há muito trabalho a ser feito pelos próximos governos. E Santa Catarina tem todos os predicados para ser uma das locomotivas do comércio exterior do Brasil, seja por sua ampla e desenvolvida agroindústria, seja por sua expertise na prestação de serviços de comércio exterior.
A outra perna dessa equação é o modal rodoviário e o ferroviário. Também aqui há um sério problema, que é o adiamento das obras. O País sofre com a síndrome do “deixar tudo para amanhã”. Só que, agora, o amanhã está batendo a nossa porta. O hub logístico de SC, em especial na região entre Joinville e Itajaí ,é razoável, mas poderia ficar melhor com a integração maior entre os modais.
Claro que a situação atual é bem melhor que a enfrentada em 2005 ou 2000, por exemplo. Mas a questão é que a dinâmica de investimentos continua a mesma. A iniciativa privada ainda não aporta capital em grande escala e o setor público não tem capacidade de caixa. Pior: existe a falta de sincronia entre necessidades futuras e investimentos atuais.
* por Alexandre Schaefer, empresário de segmento de comércio exterior / artigo publicado no jornal A Notícia

