O peso dos impostos
Pagar duas vezes pelo mesmo serviço é dose. Quem pode, e muitos se esforçam para isso, coloca os filhos em escola particular. Na hora de ir ao médico, acaba pagando do próprio bolso ou usa o plano de saúde. Segurança, nem se fala: é preciso ter seguro para casa, carro; pagar mensalmente para que a residência seja monitorada; colocar grades nas janelas. Enfim, muitas vezes estamos pagando duas vezes por serviços que a Constituição nos garante como essenciais.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que, desde o início do ano até a próxima quinta-feira (147 dias), o brasileiro só está trabalhando para pagar impostos. É uma situação que é menor do que a Suécia (185 dias) e a França (149 dias). Só que os serviços públicos são bem melhores que os do Brasil. Principalmente no primeiro.
Com o fim da crise, a arrecadação de impostos voltou a aumentar, crescendo 12,52% no primeiro quadrimestre do ano em comparação ao mesmo período de 2009. O PIB do primeiro trimestre será divulgado no dia 8, mas o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, um termômetro do PIB, fechou com alta de 9,85% em relação ao mesmo período de 2008.
Um alerta dado pelo prêmio Nobel de Economia de 2004, Edward Prescott, na Expogestão: dá para crescer mais com menos impostos. O governo sabe disso, pois quando reduzido o IPI dos carros, entre o final de 2008 e o início de 2010, as vendas explodiram. Em 2009, foram licenciados 3,14 milhões de veículos, 11,4% a mais do que no ano anterior.
* da coluna E EU COM ISSO? por Vandré Kramer, publicado no A Notícia

