O Brasil de saia
A partir de agora, o Brasil será visto nacional e internacionalmente assim: de saia. Isto porque a próxima pessoa a assumir o principal cargo eletivo do país será uma mulher.
Dilma Roussef chegou à presidência da república por vias previamente pavimentadas por seu antecessor, o presidente Lula. Mas asfalto não garante o fim da viagem, pois vários incidentes podem acontecer durante o percurso.
E foi isto o que ocorreu quando veio a notícia do segundo turno, quando o que se esperava era uma vitória fulminante logo “de cara”. O acontecimento abateu a cúpula petista, mas rapidamente refizeram os ânimos e saíram à caça de votos.
Segundo o discurso da nova presidente na noite da eleição, uma das bandeiras que empunhará será a criação de oportunidades, frase esta que até uma década atrás seria subjetiva para a maioria da população, mas não hoje com mais da metade dos brasileiros fazendo parte da classe média, crescimento ocorrido nos últimos dez anos com a estabilização da economia, a geração de emprego e renda, dentre outros fatores.
Outro acontecimento que deve ser observado – se já não é possível desde o anúncio da vitória petista – será a relação da grande mídia com a nova presidente, mas isto tem um objetivo que é estreitar relacionamento a fim de fazer lobby contra projetos como a criação do Conselho Nacional de Jornalismo e outras medidas discutidas nos Congressos de Comunicação realizados em diversas cidades.
No campo religioso em função dos temas levados à pauta dos debates por entidades como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e alguns setores do segmento evangélico, ainda há apreensão quanto as questões do aborto e da homofobia. Isto porque não há um posicionamento claro de Dilma referente a estes temas. Os discursos disseminados foram apenas para acalmar tais entidades e os milhares de fiéis que ambas agregam. Porém, o que acontecerá de fato ainda é uma incógnita!
Mas, de uma maneira geral, todo este processo eleitoral foi positivo para a consolidação da democracia que, historicamente, chegou ao seu terceiro presidente sequencialmente, ou seja, sem interrupções do Estado ou de movimentos sociais que poderiam colocar em xeque a soberania da nação.
Bom, uma coisa é certa: o brasileiro está ficando habilidoso na arte de votar e busca claramente um governo mais justo, igualitário e progressista, indiferente de siglas e cores partidárias.
* Osni Alves Júnior (28) é jornalista profissional formado, casado e atua como freelancer para veículos de Santa Catarina, além de atuar em assessoria de imprensa
