Mudanças de rumo necessárias
O ano passado terminou com uma grande dúvida sobre a postura que o futuro governo Dilma Rousseff teria em matéria de política externa: se ela continuaria ou não com a visão de seu antecessor, ou seja, de que democracia e direitos humanos não deveriam interferir nas relações econômicas do Brasil com outros países. Esperava-se que a resposta levasse alguns meses, mas a presidente surpreendeu em mais uma rápida mudança de orientação política.
Por ordem da presidente, o chanceler Antonio Patriota já pediu a todas as representações brasileiras uma avaliação da nossa política externa, principalmente no tocante ao tema de direitos humanos em países “não-democráticos”, assim como da relação do Brasil com o Irã.
Outro sinal de mudança foi a nota de protesto ao governo do Egito, frente às prisões e perseguições a jornalistas brasileiros que cobriam a revolta popular naquele país. Em anos passados, muito provavelmente, a resposta oficial seria a de que tínhamos que respeitar a soberania dos outros países. É necessário, contudo, que outras posturas sejam revistas, uma vez que elas não representam a realidade política e podem prejudicar o nosso interesse nacional.
O ex-presidente Lula, no final do seu governo, passou a chamar a nossa relação com a França de uma parceria estratégica, sem, contudo, definir o que ele, ou o seu governo, entendiam com isso. Foi com base nessa lógica que ele anunciou, em 2009, que o Brasil escolheria os aviões militares franceses na concorrência FX-2, da FAB.
No entanto, o seu governo terminou, a escolha não foi feita, e a presidente Dilma está com mais esse problema para resolver. Uma parceria estratégica seria praticamente uma aliança entre dois países, que se apoiariam mutuamente em assuntos internacionais, e não somente na venda e possível transferência de tecnologia. Para essa relação, a denominação correta é transação militar pura e simples. E o que está à vista de todos é que esta é a intenção da França, uma vez que em assuntos de interesse brasileiro, ou ela não nos apoia ou apresenta proposta contrária, como faz agora com a questão de controlar os preços das commodities agrícolas. Mais parece que os franceses estão tentando chamar a atenção para outro assunto e não discutir a diminuição dos seus subsídios agrícolas
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acertou ao afirmar que o mundo passa por uma guerra cambial, e que isto prejudica o Brasil. A desvalorização do dólar, e a consequente valorização do real, prejudica nossas exportações de manufaturados, levando, com isso, alguns economistas a afirmar que estaríamos passando por um processo de desindustrialização. E, ainda segundo o ministro, a culpa seria do governo norte-americano, que está injetando bilhões de dólares na sua economia para tentar tirar o país da recessão, mas, por causa da globalização das finanças internacionais, esse dinheiro acaba vindo para nosso mercado.
A análise do ministro Mantega está correta, o mundo passa por uma guerra cambial, mas a identificação do “inimigo” está errada. O maior culpado por grandes distorções econômicas no mundo é o governo chinês, que mantém a sua moeda artificialmente desvalorizada frente ao dólar a fim de manter suas exportações.
A taxa de câmbio manipulada da moeda pelo governo chinês faz com que os produtos chineses tirem o produto brasileiro do mercado, tanto nacional quanto em outros países. Além do mais, Pequim não aceita importar produtos semi-industrializados nossos, como farelo e óleo de soja, comprando somente o grão, atitude de quem força a sua industrialização à custa dos outros. Portanto, é hora de aproveitar o início do novo governo e este repensar nossas relações com estes dois países, principalmente a China. Eles não nos veem como parceiros estratégicos, e nós não deveríamos ficar correndo atrás deste tipo de parceria, pelo menos não com eles.
O ano passado terminou com uma grande dúvida sobre a postura que o futuro governo Dilma Rousseff teria em matéria de política externa: se ela continuaria ou não com a visão de seu antecessor, ou seja, de que democracia e direitos humanos não deveriam interferir nas relações econômicas do Brasil com outros países. Esperava-se que a resposta levasse alguns meses, mas a presidente surpreendeu em mais uma rápida mudança de orientação política.
Por ordem da presidente, o chanceler Antonio Patriota já pediu a todas as representações brasileiras uma avaliação da nossa política externa, principalmente no tocante ao tema de direitos humanos em países “não-democráticos”, assim como da relação do Brasil com o Irã.
Outro sinal de mudança foi a nota de protesto ao governo do Egito, frente às prisões e perseguições a jornalistas brasileiros que cobriam a revolta popular naquele país. Em anos passados, muito provavelmente, a resposta oficial seria a de que tínhamos que respeitar a soberania dos outros países. É necessário, contudo, que outras posturas sejam revistas, uma vez que elas não representam a realidade política e podem prejudicar o nosso interesse nacional.
O ex-presidente Lula, no final do seu governo, passou a chamar a nossa relação com a França de uma parceria estratégica, sem, contudo, definir o que ele, ou o seu governo, entendiam com isso. Foi com base nessa lógica que ele anunciou, em 2009, que o Brasil escolheria os aviões militares franceses na concorrência FX-2, da FAB.
No entanto, o seu governo terminou, a escolha não foi feita, e a presidente Dilma está com mais esse problema para resolver. Uma parceria estratégica seria praticamente uma aliança entre dois países, que se apoiariam mutuamente em assuntos internacionais, e não somente na venda e possível transferência de tecnologia. Para essa relação, a denominação correta é transação militar pura e simples. E o que está à vista de todos é que esta é a intenção da França, uma vez que em assuntos de interesse brasileiro, ou ela não nos apoia ou apresenta proposta contrária, como faz agora com a questão de controlar os preços das commodities agrícolas. Mais parece que os franceses estão tentando chamar a atenção para outro assunto e não discutir a diminuição dos seus subsídios agrícolas
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acertou ao afirmar que o mundo passa por uma guerra cambial, e que isto prejudica o Brasil. A desvalorização do dólar, e a consequente valorização do real, prejudica nossas exportações de manufaturados, levando, com isso, alguns economistas a afirmar que estaríamos passando por um processo de desindustrialização. E, ainda segundo o ministro, a culpa seria do governo norte-americano, que está injetando bilhões de dólares na sua economia para tentar tirar o país da recessão, mas, por causa da globalização das finanças internacionais, esse dinheiro acaba vindo para nosso mercado.
A análise do ministro Mantega está correta, o mundo passa por uma guerra cambial, mas a identificação do “inimigo” está errada. O maior culpado por grandes distorções econômicas no mundo é o governo chinês, que mantém a sua moeda artificialmente desvalorizada frente ao dólar a fim de manter suas exportações.
A taxa de câmbio manipulada da moeda pelo governo chinês faz com que os produtos chineses tirem o produto brasileiro do mercado, tanto nacional quanto em outros países. Além do mais, Pequim não aceita importar produtos semi-industrializados nossos, como farelo e óleo de soja, comprando somente o grão, atitude de quem força a sua industrialização à custa dos outros. Portanto, é hora de aproveitar o início do novo governo e este repensar nossas relações com estes dois países, principalmente a China. Eles não nos veem como parceiros estratégicos, e nós não deveríamos ficar correndo atrás deste tipo de parceria, pelo menos não com eles.
* por Gunther Rudzit, professor da Sustentare Escola de Negócios / artigo publicado no A Notícia
