Joinville em transformação
Estamos em 2030. Está equivocado quem pensa Joinville como um polo exclusivamente industrial. Está enganado quem enxerga Joinville como um centro apenas de empresas de segmentos tradicionais. Está enganado quem vê Joinville como um ambiente de negócios dissociado de elementos contemporâneos, como tecnologia de informação, entretenimento e serviços.
O olhar atual, em 2011, projeta uma cidade com riqueza em expansão exponencial. A aposta vencedora é de um município que crescerá de 8% a 10% ao ano por muitos anos, ainda.
E é exatamente esta certeza — compartilhada por investidores, estudiosos e até mesmo por aqueles que somente estão atentos aos movimentos de mercado — que propicia um sentimento de forte esperança no futuro. Isto tudo significa que a mais rica das cidades catarinenses e a terceira mais poderosa (economicamente) do Sul do Brasil precisa correr contra o tempo para garantir seu quinhão de excelência também daqui a 20, 30 anos.
O que nos diferencia do restante do Estado de Santa Catarina e, mesmo, de outras regiões brasileiras? A lista de fatores positivos é grande: logística adequada, perto de três portos — São Francisco do Sul, Itapoá (a começar operação neste ano) e Itajaí-Navegantes. Estrutura industrial diversificada, com força nos segmentos metalmecânico e plástico. E qualidade de mão de obra longe do ideal sul-coreano, mas mais preparada do que a média. E disciplinada.
Para isto tudo se tornar possível e a projeção favorável feita hoje se realizar, é necessário conjugar algumas expressões: empreender, arrojo, criatividade, determinação. E, claro, bem mais ações pró-ativas dos agentes públicos e de união de esforços das lideranças empresariais e comunitárias por causas comuns.
Significa dizer que serão inevitáveis investimentos maciços em melhoria substancial em saneamento; mudança imediata na crença coletiva de que o trabalho é só uma etapa do cotidiano das pessoas, garantindo-lhes espaços de lazer e cultura.
Significa, ainda, que a Joinville que queremos deve ser concebida agora, considerando-se urgentes aportes de recursos em mobilidade urbana, controle da expansão urbana e de uma compreensão para a importância de aspectos ambientais capaz de permitir crescimento sustentável no longo prazo.
Ainda que tenhamos excelentes oportunidades de sermos a vitrine do Sul do Brasil, não dá para esquecer que o crescimento sempre vem acompanhado de dores. Que podemos diminuir se tivermos sabedoria para reduzir a força do individualismo ganancioso conhecido de minorias economicamente muito influentes e socializar riqueza e o desenvolvimento num ambiente globalmente competitivo. Respeitando o meio ambiente, como premissa básica. Infelizmente, muita gente usa aquele cínico argumento de Lord Keynes, que num outro contexto dizia que era melhor cuidar do presente “porque a longo prazo estaremos todos mortos”. Esta é a perversa lógica da dilapidação.
* por Claudio Loetz, jornalista, graduado em comércio exterior e colunista do jornal A Notícia / artigo publicado no jornal A Notícia de 7.03.2011

