Gerenciamento de carreira em tempos de incerteza
O que alguém que vem da área de finanças e de mercado de capitais tem a ensinar sobre como conduzir um plano de carreira? O dinamismo e a incerteza dos mercados financeiros nos fazem ver as coisas de uma forma um pouco diferente do habitual. Qualquer tentativa de antecipar os movimentos futuros do mercado é futilidade, ingenuidade ou, em situações mais extremas, puro charlatanismo. Uma das primeiras lições que aprendemos no mercado (e geralmente essa lição vem com um pouco de dor) é que o que realmente importa não é o que você vai fazer, mas sim “o que você vai fazer se aquilo que queria fazer der errado”.
Muitas das práticas corporativas mais populares vêm da doutrina militar. Termos como “estratégia” e “posicionamento” têm alta conotação bélica, mas até a doutrina militar mudou. Hoje, se fala em “guerra assimétrica”, onde o inimigo não é mais um exército organizado, e sim um terrorista em um ambiente urbano caótico, onde não é possível distingui-lo de cidadãos comuns e inocentes. A zona de guerra é um ambiente mais dinâmico e incerto do que jamais foi, e muitos teóricos militares dizem que estamos deixando a “era da estratégia” e entrando na “era das contingências”. Hoje, um bom plano de contingência vale tanto ou mais que uma boa estratégia.
Um bom plano de carreira para as situações de incerteza e contingências deve se apoiar em duas coisas: uma honesta e profunda avaliação de nossas realizações e fraquezas, e um plano de aprendizado e desenvolvimento pessoal que dê ênfase na versatilidade e na capacidade de adquirir novas habilidades rapidamente.
À medida que a realidade à nossa volta fica mais caótica e dinâmica, as carreiras deverão, igualmente, ficar menos lineares rumo às posições de topo das organizações. O plano de carreira será, cada vez mais, um plano de aprendizado, pois faremos muitas coisas novas e que não prevíamos. E será preciso dar ênfase não às habilidades em si, mas, sim, às chamadas “meta-habilidades”, que são “habilidades que criam habilidades”. São normalmente as habilidades relacionadas ao aprendizado e à comunicação. Agora, ter a capacidade de aprender e compreender os próximos modismos, práticas contábeis e sistemas que vêm por aí mais rápido e com mais eficiência que seus colegas é algo cujo valor só aumenta.
E você?
Já fez o seu plano de aprendizado?
* por André Massaro, especialista em finanças pessoais / artigo publicado no AN Jaraguá

