Ética no trabalho
Se vivêssemos no início do século passado, o tema trabalho nos remeteria a inúmeras reivindicações sociais: direitos às mulheres, redução das jornadas exaustivas, benefícios previdenciários ao trabalhador. Nenhuma empresa está isenta de todas as transformações econômicas e sociais de seu entorno.
Nesta onda, vemos a disseminação em diversos países, inclusive no Brasil, de códigos de ética e de conduta para nortear o comportamento profissional. A verdade é que a ética se forma nas bases da estrutura familiar e mais tarde se aprimora na escola. Por último, sim, chega à empresa. Criar um código para reforçar valores e princípios da organização é válido, desde que tais valores sejam realmente respeitados pelas pessoas e legitimados pela instituição.
Melhor do que exigir a ética, é buscar a aplicação de códigos de conduta construídos com o apoio das bases, de forma democrática e participativa, por áreas específicas de interesse. As empresas que estiverem sintonizadas e atentas à aplicação desses códigos, renegando o autoritarismo burocrático, terão longevidade, sejam públicas ou privadas. Serão apreciadas pelos acionistas e pela sociedade.
Quando, ao contrário, em nome de interesses individuais ou em nome da supremacia de mercado, infringirem o bom senso, encurtarão suas vidas e passarão a não atingir os resultados propostos. Se aplicados rigorosamente na prática, os manuais de conduta servirão para alcançar um bem maior: a sustentabilidade das empresas num mundo altamente competitivo, no qual se sobressaem aquelas que valorizam o indivíduo, a coletividade e o planeta.
* por Gilberto dos Passos Aguiar, engenheiro eletricista e escritor / artigo publicado no Diário Catarinense

