Empreendedores do século 20
Ao início do século 20, a região Sul do Brasil passou a viver o desenvolvimento, quando as principais cidades procuravam implantar organizações empreendedoras que atendessem a esse anseio. Jaraguá do Sul deve seu desenvolvimento a Emilio Carlos Jourdan, detentor da concessão para colonizá-la. Jourdan conheceu Domingos Rodrigues da Nova Junior no Rio de Janeiro e o convidou para essa tarefa. Chegou a Jaraguá em 1900.
Da Nova era baiano nascido em Salvador em 1861. Em 1883, matriculou-se na escola naval e, terminado o curso, recebeu carta de piloto de dom Pedro 2º. Formou-se em matemática e graduou-se bacharel. Foi distinguido pelo imperador com comenda de cavalheiro e comendador da Ordem Militar de São Bento de Avis. Obteve promoções na Marinha. Em 1889, casou-se com Corina Xavier da Silveira. Após cumprir sua tarefa em Jaraguá, transferiu-se para Joinville. Nesse meio-tempo, assumiu a Empresa de Navegação Abdon Batista, em São Francisco do Sul, com pouco movimento sob a alegação de que o trapiche não tinha calado para navio de grande porte. Não conformado, fez, dentro de bote, por dez dias, levantamento do calado, comprovando o inverso. Deu ciência às empresas de navegação.
Dr. Étienne Douat era detentor de concessão para exploração de luz elétrica e força em Joinville, cuja usina ainda hoje se encontra sob a cascata do Piraí. Em julho de 1907, a concessão foi transferida para Da Nova que, em outubro, organizou a Empresa Joinvilense de Eletricidade, da qual faziam parte Da Nova, na qualidade de concessionário, Olimpio Nóbrega de Oliveira e Alexandre Schlemm. Mais tarde, sucedeu Olimpio Nóbrega de Oliveira o coronel Procópio Gomes de Oliveira. Ao passar dos anos, essa concessão chegou às mãos da Empresul. Hoje, a Celesc é a detentora.
Da Nova continuou desenvolvendo seu instinto empreendedor. Com disponibilidade de energia elétrica e conhecedor de navegação, concluiu ser viável a instalação de um moinho de trigo à margem do rio Cachoeira, considerando a facilidade do transporte desse cereal entre São Francisco do Sul e Joinville, por via marítima.
Em 1911, organizou a firma Oscar Schneider & Cia., sendo sócios-proprietários Oscar Schneider, Da Nova e Abdon Batista. Viajou à Europa, já que falava cinco idiomas, para comprar as máquinas do moinho. Negociou não só a compra das máquinas, como também toda a estrutura metálica de cinco pavimentos para sustentação do prédio. A seguir, as máquinas foram instaladas e assim o Moinho Boa Vista passou a operar, em 1913. As máquinas tinham capacidade para beneficiar 40 toneladas em 24 horas. Ao longo do tempo, novas máquinas, mais modernas, foram introduzidas. No fim da década de 80, chegou a 600 toneladas/por dia. Trata-se de prédio magnífico, digno de preservação. Brevemente completará um século de existência. Recomendo visitá-lo.
Em 1916, Da Nova mudou-se para Mafra, dedicando-se à exportação de erva-mate ao Chile e à Argentina. Em 1922, instalou duas serrarias em Avencal, para exportação de madeira, e em 1924 transferiu-se para Capinzal, no Oeste, onde fundou a Associação Comercial. Ali terminou seus dias em 1928.
* por Ruy Cardozo, economista – ruycardozo@hotmail.com / artigo publicado no A Notícia

