E chegamos a 2012
Essa é a época de balanço para os contadores, literalmente, analisar os dados do ano que terminou e projetar os números do ano que começa. Os meses finais de 2011 preocuparam, ao demonstrar uma elevação dos índices inflacionários e uma redução da atividade econômica, no 3º trimestre o PIB ficou estagnado, principalmente no setor industrial.
A crise mundial, especialmente na Europa, com destaques negativos para Grécia, Irlanda, Portugal e Itália, vislumbram um longo período de dificuldades, como sentenciou a gerente- geral do FMI, Christine Lagarde. Os Estados Unidos não permitem grande dose de otimismo. A China, quem diria, tem apresentado menores índices de crescimento econômico.
O Brasil também não ficará incólume a toda essa turbulência, em que pese a aparente tranquilidade das autoridades brasileiras, que enxergam um cenário positivo, numa aparente ingenuidade. É certo que o País tem diversos instrumentos para enfrentar a crise que se avizinha, como reduzir os juros, ainda em patamares escorchantes, e o aumento da liquidez e do crédito, com redução do empréstimo compulsório do sistema financeiro. Isso sem falar no alívio que uma redução da carga tributária, geral ou setorial, pode gerar para os negócios.
Essas medidas já têm sido adotadas pelo governo e acreditamos que em 2012 a estratégia será mantida e, quem sabe acelerada, dando certo ânimo para a economia interna. Mas como grande produtor de commodities, o Brasil vai sentir a depreciação dos preços agrícolas e minerais, com evidentes impactos na economia doméstica.
Nas áreas contábil, fiscal e tributária, vamos ver a consolidação na aplicação das normas internacionais de contabilidade IFRS e a manutenção da guerra fiscal entre os Estados, que só terá fim com uma reforma tributária. Porém, com certeza, a maior e mais importante previsão para 2012 é o aprofundamento e o aperfeiçoamento do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped).
Estão sendo instituídas ou disseminadas diversas obrigações para os contribuintes, todas elas relacionadas com a prestação de informações contábeis e fiscais das empresas, em meio eletrônico. Já apelidamos todo esse aparato de Big Brother Tributário.
A Receita Federal tem plantado na mídia uma série de novidades, como a malha fiscal das pessoas jurídicas, a extinção de diversas declarações e a implantação de instrumentos e programas de fiscalização. Com isso, podemos esperar um aumento do cerco à sonegação e à informalidade e um controle mais rigoroso sobre as operações dos contribuintes.
* por Enio de Bias, empresário e auditor / artigo publicado no AN Jaraguá

