Clima organizacional, criatividade e produtividade
O que o clima organizacional tem a ver com a criatividade?
“o mundo dos negócios e das organizações tem se revelado mais interessado no desenvolvimento da capacidade de pensar do que qualquer outro setor da sociedade – inclusive a ciência e a educação.” (De Bono, 1988)
Enquanto nas escolas se ensina o passado, nas empresas a busca é pelo futuro. Da mesma forma isso acontece com a criatividade. Quando na escola reproduzimos conhecimento, nas organizações temos que gerá-lo, ou seja, buscar constantemente por inovação, exigindo criatividade dos indivíduos envolvidos nelas. A criatividade vem sendo mais estudada desde a década de 50. Descobriu-se nas pesquisas que o espaço, o meio, ou seja, fatores do clima psicológico no ambiente de trabalho atuam diretamente sobre ela, fortalecendo-a ou minando-a. Nos diversos ambientes ao nosso redor, nos deparamos com muitos bloqueios que podem inibi-la. Pesquisadores como Eunice Soriano de Alencar da UNB, em vários de seus trabalhos direciona o estudo para o clima organizacional e fatores psicológicos do mesmo como: o relacionamento e as influencias recíprocas entre organização e individuo, do sistema social (externo), do formato organizacional (fluxo de informação).
Desta forma pode-se dizer que o desenvolvimento da criatividade é proporcional ao clima organizacional. Assim, percebe-se que no contexto das organizações o clima afeta diretamente a criatividade e com ela percebe-se uma diminuição da produtividade, uma vez que em inovação e capacidade de criar são aspectos necessários no dia a dia empresarial para gerar resultados e solucionar problemas.
Clima organizacional é o poder do ambiente sobre a produtividade, ou seja, a qualidade do ambiente que é percebida ou experimentada pelos participantes da empresa e que influencia o seu comportamento. É aquela “atmosfera psicológica” que todos nós percebemos quando entramos num determinado ambiente e que nos faz sentir mais ou menos à vontade para ali permanecer, interagir e realizar. Somos influenciados por ele e ao mesmo tempo, o influenciamos, esse ciclo criará um efeito o qual é chamado de “realimentação de auto-reforço”, fazendo com que certas características da cultura organizacional sejam amplificadas através de comportamentos repetidos nas relações do dia a dia. Se a cultura organizacional for virtuosa, esse ciclo amplificará comportamentos construtivos, gerando mais produtividade com qualidade de vida, mas se a cultura for viciosa, o ciclo de influências arrastará a empresa para comportamentos cada vez mais destrutivos, prejudicando a produtividade, desgastando as pessoas, relacionamentos e com certeza a capacidade de criar.
Um estudo conduzido pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), validou esse conhecimento, essencialmente empírico, ao demonstrar que entre 1997 e 2005 as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil apresentaram retorno 170% acima do Índice Ibovespa e rentabilidade do patrimônio líquido de 17,8%. Resultado superior à média das 500 Maiores Empresas do Brasil (11,3%). Isso revela que o mercado brasileiro está definitivamente deixando para trás a era em que os ativos tangíveis, como máquinas e estoques, eram os únicos que movimentavam a economia.
Esse território altamente complexo e subjetivo, onde as pessoas – suas crenças, valores, comportamentos e relacionamentos – passam a ser determinantes para o sucesso ou o fracasso do seu negócio, deve ser mais explorado. Principalmente porque é no mundo das idéias que a capacidade de criar se desenvolve, é na comunicação e relações que se percebe a flexibilidade às mudanças e um bom relacionamento entre equipes. As pesquisas de clima organizacional apenas trazem um mapeamento do ambiente psicológico, mas não têm o poder (nem a pretensão) de prover soluções efetivas para o problema.
Para obter melhorias realmente expressivas e sustentáveis, precisamos investir em programas práticos capazes de intervir no que acontece “da pele para dentro”, e que, portanto, não se limitem a oferecer apenas teorias, modelos e conceitos. Tornam-se vital a prática do estilo de vida, atividades que desenvolvam o aperfeiçoamento contínuo das aptidões do ser humano. A amplitude desse tema tem gerado interesse por parte de muitas instituições, principalmente nos países que buscam um diferencial competitivo.
Melhoria do clima organizacional
A melhoria do clima organizacional é um desafio bastante complexo dado o alto grau de subjetividade envolvido nesse processo. A Cultura organizacional pode e deve contribuir com alguns aspectos como:
• Ambiente interno, sistema de normas e valores, incentivos e desafios, tanto estimulam como podem obstruir o poder criativo. Tudo o que é compartilhado – mais amplo do que clima psicológico, podendo este último ser considerado uma dimensão do primeiro.
• Relacionamento da organização com o individuo e ambas suas características individuais que podem se chocar ou não – zeitgeist – espírito da época – oportunidades oferecidas – conjunto de fatores que podem favorecer esse potencial. Exemplo da sociedade japonesa – ênfase em coletividade e lealdade refletindo no ambiente de trabalho.
• Observação da cultura de aceitação a mudanças. Como as novas idéias são tratadas? Reação, apoio, concordo, discordo, o valor desta ideia é que.
Afinal, se o ser humano busca no trabalho, além da sua subsistência, uma forma de manter sua auto-estima através do reconhecimento da sociedade, por estar fazendo algo de útil para sua família, empresa, comunidade e seu país, faz sentido ele se sentir feliz, ao realizar tudo isso. Por isso, faz sentido também ele desenvolver seu autoconhecimento no ambiente de trabalho e deve ser respeitado na condição de colaborador para o seu sucesso e crescimento da sua empresa.
As grandes organizações já estão criando a consciência de que investir nas células do corpo empresa, ou seja, nos funcionários, de maneira individual é e será cada vez mais o diferencial competitivo. A tecnologia está aí para todos e com o tempo estará na mão de muitos, mas o fator humano será sempre um diferencial, este jamais será substituído por uma máquina.
Por isso, o conceito de clima organizacional tem despertado um interesse crescente nos administradores brasileiros desde a década de 70. Não por acaso ou modismo, mas por puro pragmatismo. O que a prática tem demonstrado é que há uma relação direta entre o clima do ambiente de trabalho, a produtividade, a capacidade de inovação e, conseqüentemente, a lucratividade. Tendo isso em mente e com vista a alcançar tais objetivos, defendo a ideia do trabalho profissional de Life style coaching dentro das empresas.
* por Ariane Marques, coaching em Florianópolis
