Além dos partidos
Iniciada na década de 1990, a reforma do Estado brasileiro ainda é um processo em curso. A mídia estampa, com frequência, exemplos de ineficiência, morosidade e falta de comprometimento, materializados em serviços públicos deficientes em áreas chaves para a população, como saúde, educação e segurança pública, para citar algumas. A boa notícia é que, em termos de gestão, o país avançou nos últimos anos. Do Amapá ao Rio Grande do Sul, há ideias inovadoras solucionando antigos gargalos. Os exemplos passam por formas inovadoras de prestar serviços públicos, de contratar mão de obra, capacitar servidores, de fixar metas de serviços apoiadas em indicadores, de premiar resultados positivos, entre outros instrumentos.
Os bons exemplos, ainda que em áreas pontuais, demonstram a preocupação dos administradores públicos de tornar a gestão eficiente. A meritocracia ganha musculatura pelo país – cada vez mais estados remuneram seus servidores de acordo com seu desempenho. E a estabilidade econômica exige dos gestores comprometimento ainda maior com a eficiência.
É no período eleitoral que o cidadão é chamado, por meio do voto, a avaliar os gestores do país e os candidatos à função. É preciso saber, portanto, o escopo da atuação de cada um e reconhecer quem é capaz de dar continuidade ou de iniciar um processo de gestão eficiente capaz de se traduzir em melhores serviços à população. É preciso avaliar se as propostas apresentadas pelos candidatos nas diversas áreas são interligadas o suficiente para ser consideradas, de fato, um projeto de governo e não ações isoladas. E se as propostas têm custos factíveis com a realidade do Estado.
A transparência é condição fundamental para que a sociedade possa acompanhar os processos de gestão. Os bons gestores estão identificados com a sociedade.
* por Sérgio Ruy Barbosa, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Administração / artigo publicado no Diário Catarinense
