A visão da indústria catarinense
Por ocasião das comemorações alusivas aos 60 anos, em maio, a Fiesc apresentou a versão preliminar do trabalho intitulado “Desenvolvimento SC: uma visão da indústria”. O documento foi elaborado a partir de ampla consulta realizada junto aos industriais, com a finalidade de identificar e compor um conjunto de propostas a ser debatido com os catarinenses que vierem a concorrer a governador nas eleições.
Trata-se da visão da indústria sobre uma proposta de parceria com o governo estadual, destinada a contribuir para o desenvolvimento sustentável do Estado, por meio de ações que assegurem condições institucionais e físicas favoráveis ao incremento da inovação e da competitividade industriais. Segundo a visão de quem melhor conhece a sua realidade, os seguintes fatores críticos, entre outros, precisam ser superados para que SC ingresse num novo ciclo de desenvolvimento duradouro:
1) As más condições da infraestrutura estadual, que onera os custos logísticos, acarretando um gasto de R$ 18,00 para cada R$ 100 faturados pela indústria, o dobro do gasto nos EUA.
2) A irracionalidade tributária, que inibe investimentos e asfixia a produção.
3) A qualidade do ensino básico, que precisa ser melhorada, embora os índices catarinenses estejam entre os melhores do Brasil. Acontece que as deficiências prejudicam o prosseguimento dos estudos nas instituições de ensino profissionalizante e superior.
4) A existência de poucos segmentos inovadores constitui um ponto vulnerável da indústria catarinense, pelo que se propõe a criação de incentivos para atividades inovadoras, desenvolvimento de infraestrutura tecnológica, incubadoras e centros tecnológicos.
5) A falta de políticas claras de desenvolvimento gera insegurança aos investidores. A percepção é de que o governo dispensa tratamento diferenciado para as empresas de fora do que para as que operam em SC, o que leva à proposta de priorizar com ações do governo as empresas já instaladas.
A indústria entende que as trocas de governo são inspiradoras da oportunidade da promoção de ajustes que, aproveitando-se dos êxitos e fracassos passados, antecipam e projetam as mudanças requeridas pelo futuro. Mais do que a simples vontade, essas mudanças exigem ações em parceria. A Fiesc está pronta para exercer a sua parte nesse compromisso com o desenvolvimento de SC.
* por Glauco José Côrte, primeiro vice-presidente da Fiesc / artigo publicado no A Notícia
