A profecia de Malthus
Ontem, comemoramos o advento de um novo ano. À meia-noite do último dia do ano sentimo-nos numa verdadeira catarse, libertados das frustrações passadas e renovados para conquistas futuras. Na verdade, o que muda é o calendário. O passado continuará adubando o futuro e nós só seremos capazes de avançar se soubermos nos valer do acervo construído.
Uma parte grande da população assiste na televisão a comemoração dos outros, assustada com os desafios, diante de uma super dimensão de tudo: miséria, desnutrição, analfabetismo, narco/álcool dependência, criminalidade e catástrofes climáticas e população explosiva!
Na sua biografia, Henry Ford, o pioneiro da indústria automobilística em linha de montagem, recomenda que “não (se deve) ter medo do futuro nem nutrir veneração pelo passado. O que pertence ao passado é útil somente enquanto nos sugere meios e modos de progresso”.
É essa a equação que deve nos dominar: alicerçados em tudo de positivo que já foi feito e buscar soluções. Em 1805, Thomas Robert Malthus publicou o livro “Ensaio Sobre a População”. Na obra, ele previu que haveria um crescimento populacional em progressão geométrica, enquanto o aumento da produção alimentar caminharia em progressão aritmética. Previu que a fome não dizimaria mais gente porque continuaria a haver guerras, pestes e cataclismos. Domenico De Masi, no seu livro “Criatividade e Grupos Criativos”, assinala que “nos países industriais e pós-industriais, a longevidade média aumenta cada vez mais e passará das 300 mil horas, aproximadamente, dos nascidos em 1850, a 1, 2 milhão de horas, dos que vão nascer a partir de 2050!”. Quer dizer: em apenas 200 anos, a expectativa de vida da população evoluirá de 33 para 120 anos, ou seja, quadruplicará! E o que é mais desafiante: em 2025 seremos 7 bilhões de pessoas, com 95% vivendo em cidades.
Problemas como mobilidade urbana, água tratada, habitação, abastecimento, educação, saúde, desemprego, subemprego e criminalidade tendem a se agravar nas próximas décadas. Infelizmente, a profecia de Malthus vem se confirmando. Não obstante políticas de redução demográfica, como a da China, a difusão de métodos anti-conceptivos e os avanços da ciência médica (que o mestre inglês não foi capaz de prever à sua época), a população mundial avança na direção de um colapso. Mais do que profetizar, Malthus previu, cientificamente, tudo isso!
* por Luiz Henrique da Silveira, senador eleito / artigo publicado no A Notícia

