A contribuição da indústria catarinense
O Brasil está passando por um vigoroso processo de crescimento, que poderá culminar, no final do ano, com uma taxa próxima de 7,5% do PIB, só comparável aos resultados obtidos na década de setenta, período em que o crescimento foi superior a 8%. Esse crescimento, assim como em 2009, está fortemente sustentado pelo mercado interno de consumo, ajudado pelo aumento de mais de 20% no crédito e pelo bom desempenho dos empregos, responsável pelo aumento da massa real de salários em torno de 6,5%. Estudo da Fundação Getúlio Vargas revela que a proporção de brasileiros abaixo da linha da miséria caiu 43% em 15 anos. Segundo Marcelo Néri, da FGV, “essa melhora é muito mais sustentável, pois está apoiada na renda do trabalho”. A atual taxa de desemprego, segundo o IBGE, é da ordem de 6%. Na média da década, esse fator explica 67% da redução da desigualdade, sendo que o Bolsa-família responde apenas por 17%.
Os números confirmam esses dados: em todo o ano de 2009, o Brasil criou 995 mil empregos, enquanto nos dez primeiros meses de 2010 mais de 2,4 milhões de empregos novos já foram criados. Em Santa Catarina, no mesmo período, foram 51 mil empregos em 2009, contra 113 mil neste ano. Em SC, o salto mais notável foi dado pela indústria de transformação, que criou menos de 2.500 empregos em todo o exercício de 2009, contra 51 mil de janeiro a outubro deste ano.
A outra boa novidade de 2009 é a retomada dos investimentos (que caíram 10% no ano passado), e a forte recuperação do setor industrial. A CNI estima que a indústria, com um avanço de 12%, será o motor do crescimento da economia em 2010.
Não obstante esse cenário favorável e exceto em relação aos empregos, a indústria catarinense não está acompanhando o ritmo de crescimento da economia e da indústria brasileiras. Com efeito, em nenhum dos principais indicadores industriais Santa Catarina está acima da média brasileira, como se pode ver a seguir:
Há, pelo menos, duas explicações para esse desempenho. Apesar da diversificação do parque industrial catarinense (possivelmente um dos nossos principais ativos), o Estado não produz petróleo, nem minério de ferro, nem aço ou veículos automotores (montadoras), produtos cuja demanda se encontra em alta no mercado interno ou externo. Em segundo lugar, SC tem uma estrutura industrial exportadora cuja performance se encontra prejudicada pela forte valorização do real, que torna menos competitivos os nossos produtos no exterior e inibe o crescimento da produção.
Nesse cenário, a produção interna está sendo substituída por produtos importados, o que faz com que, pelas características de sua cadeia produtiva, a economia de SC seja uma das mais prejudicadas, com a agravante de que algumas de suas commodities, como é o caso da carne de frango, somente recentemente tiveram ganho de preços.
Em 2011, o PIB voltará a crescer, porém a uma taxa menor, não superior a 5%. O mercado interno continuará aquecido e o processo de recuperação da economia mundial deverá prosseguir, ainda que em ritmo moderado. Em razão das fortes medidas de ajustes implementadas em 2009 e 2010 voltadas para a melhoria de sua competitividade, espera-se que a indústria catarinense apresente um desempenho superior ao deste ano.
* Glauco José Côrte, primeiro vice-presidente do Sistema Fiesc / artigo publicado no jornal A Notícia

