Renda de primeiro mundo em 2030
O futuro da economia de Joinville depende de muitos fatores, mas, principalmente, do modo como o Brasil e o mundo crescerão. Mais de ¼ do que Joinville produz é exportado e o restante, em grande parte, destinado a todo o mercado nacional.
Observando-se a relação entre o crescimento econômico de Joinville e o do Brasil, nos últimos 60 anos, por meio dos números do Produto Interno Bruto (PIB), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nota-se que, entre 1940 e 1980, a economia local teve um desempenho 2,3 vezes maior do que a do País.
Já entre 1980 e 2007, ano que precedeu a crise econômica mundial, a economia do município acompanhou mais de perto o desempenho nacional, com pequena vantagem. A partir da década de 1990, por outro lado, a participação setorial no PIB de Joinville passou a assemelhar-se mais com a do Brasil, embora com destaque para a indústria.
Assim, pensando-se em projetar o futuro da economia local pode-se, com relativa segurança, utilizar as projeções feitas para o mundo e para o Brasil.
Existem vários estudos mostrando o desempenho das economias do mundo para as próximas décadas. Um deles, já bastante conhecido, encomendado em 2001 por uma importante instituição financeira internacional e coordenado pelo economista Jim O’Neill, criou a sigla BRIC, ou seja, Brasil, Rússia, Índia e China. As análises mais recentes do grupo BRIC projetam um crescimento da economia brasileira para 2030 de 176%, comparativamente a 2010.
A empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers publicou recentemente um estudo, incluindo no grupo das economias emergentes México, Indonésia e Turquia, denominando-o de E-7, em contraposição ao G-7. O Brasil seria, em 2030, a quinta maior economia do mundo. Hoje é a décima.
Uma parceria entre a Ernest & Young e a área de projetos da Fundação Getúlio Vargas resultou em uma avaliação do desempenho da economia brasileira para 2030. O crescimento projetado é de 150%, com evolução crescente da produtividade e dos investimentos e expansão do mercado interno.
Os três estudos projetam, na média, algo próximo de 150% de crescimento econômico para o País até 2030. Imaginando-se, por outro lado, que a economia local continue a acompanhar o desempenho do PIB do Brasil, teríamos aqui, em 2030, um município muito próspero.
Segundo o IBGE, o PIB de Joinville, a preços correntes, em 2008, era de R$ 13,2 bilhões. Seria, então, em 2030, de R$ 33 bilhões, em valores de 2008.
A distribuição setorial da produção do município não deve se alterar muito, mantidas a liderança da indústria e a expansão do setor de serviços, considerando-se a tendência definida nos últimos 25 anos. No mercado de trabalho, por sua vez, a demanda crescerá menos do que o PIB quantitativamente, mas, do ponto de vista da qualificação, as exigências serão crescentes.
Considerando-se um crescimento da população que acompanhe a atual relação entre nascimentos e população e um pequeno processo migratório em função das oportunidades, pode-se pensar que o PIB per capita indicado pelo IBGE de R$ 26.865 passaria para R$ 66 mil, aproximadamente, em 2030, em valores de 2008. Em outras palavras, Joinville estaria no patamar do que se chama hoje de primeiro mundo, em termos de renda.
Assim, poderemos encontrar a Joinville do futuro, a partir da análise de seu passado e dos estudos sobre o futuro do mundo e do Brasil.
* por Wilmar Anderle, economista, mestre em Relações Econômicas e Sociais Internacionais pela Universidade do Minho (Portugal) e professor emérito da da Univille / artigo publicado no jornal A Notícia

