O mundo em 2050
A ainda recente crise mundial acelerou mudanças sensíveis na economia. São marcas que ficarão na história e que demonstram o momento de ruptura entre as sete maiores economias mundiais (G7): EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá; e os mais desenvolvidos emergentes (E7): China, Índia, Brasil, Rússia, México, Indonésia e Turquia.
A pesquisa “O mundo em 2050”, realizada pela PwC, mensurando o PIB e o poder de compra, demonstra que o E7 irá superar o G7 antes mesmo de 2020. E se levarmos em conta só o PIB, a China irá se tornar a maior economia do mundo em 2032.
O estudo mostra um mundo de contornos bem diferentes dos atuais. Austrália e Argentina, por exemplo, poderiam estar fora das 20 maiores economias em 2050. Em seu lugar, teríamos Vietnã e Nigéria. A Indonésia, em 2050, seria a oitava economia, à frente de Itália, Reino Unido, França e Alemanha.
Para muitos, a chegada de Índia e China ao topo do mundo é um retorno da normalidade, afinal, são os dois países com mais habitantes no planeta. A mudança seria apenas um retorno ao cenário pré-Revolução Industrial, ratificando a transformação do teatro econômico do Atlântico para o Pacífico.
Com isso, mudarão também os centros de consumo para a classe média. Em 2025, por exemplo, São Paulo terá a maior população na classe média em todo o mundo. Diante deste cenário, São Paulo terá uma classe média e alta maior que Londres ou Paris.
Essas mudanças afetam o Brasil de duas maneiras. O País irá se tornar uma das locomotivas globais e isso atrairá investimentos e mais empregos. O volume de dinheiro em circulação tende a aumentar, oxigenando a economia. A outra mão é que China e Índia serão as duas potências incontestáveis e é necessário pensar em ampliar a relação comercial com elas.
O País já está começando a fazer isso. Ano passado, exportou para China, Hong Kong e Macau US$ 32 bilhões, volume bem superior ao conseguido com as vendas para os EUA, porém abaixo do resultado para a União Europeia. O principal parceiro continua sendo América Latina e Caribe.
A mudança de perfil do mundo nas próximas quatro décadas ainda é subestimado, em especial nas startups e nas médias e pequenas empresas (MPEs). É uma situação grave, em virtude da composição da economia brasileira e da importância das MPEs para a geração de renda, manutenção e criação de novos empregos.
Mudar esse quadro é uma tarefa longa, para a qual, infelizmente, não temos tanto tempo assim. É necessária a integração entre as economias dos E7 porque, mais que competir entre si, nos próximos anos teremos crescimento do intercâmbio de profissionais entre esses países.
* por Carlos Peres, sócio da PWC / artigo publicado no A Notícia
