Brasil, o líder pós-crise
Em pouco menos de três anos, após o início da pior crise econômica pela qual o mundo passou nas últimas sete décadas, o Brasil saiu da condição de coadjuvante para líder global. O País tornou-se figura-chave para os rumos da nova ordem econômica e fez isso com medidas sólidas, que demonstram um amadurecimento pouco comum à nossa história de crises e solavancos que o setor produtivo tão bem conhece. É um novo Brasil. E com ele, novos líderes empresariais surgem para assumir a empreitada de transformar nossas empresas em promissoras multinacionais.
Semana passada, a PwC apresentou, no Rio de Janeiro, os resultados de sua 7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros. E os resultados são promissores. Promissores pelo que representam em relação às perspectivas futuras. Por exemplo: grande parte dos executivos pretende manter ou elevar os investimentos este ano.
Mas, um ponto chama atenção na pesquisa. É a confiança dos executivos brasileiros em se adaptarem às mudanças de mercado. É uma qualidade que ficou mais clara após a crise de 2008, quando o Brasil foi um dos países que mais rápido se recuperou e soube aproveitar o reaquecimento da economia global para gerar empregos e divisas. Isso só foi possível, segundo nossos entrevistados, graças à estabilidade da economia, que transmitiu confiança aos investidores externos e atraiu bilhões de dólares para o País.
Bom momento este para levantarmos problemas – infelizmente, velhos problemas que assombram as empresas há décadas. Estamos falando de gaps de infraestrutura de transportes, que trazem sérios prejuízos às pretensões exportadoras; das reformas na estrutura pública e na necessidade de maior controle do déficit fiscal.
Esses são velhos problemas que assustam e preocupam os empresários ouvidos pela PwC. Novidade, aqui, é a necessidade de investir na formação de mão de obra qualificada para aumentar a competitividade das empresas diante da concorrência global.
Na pesquisa, também despontam as três preocupações que rondam nossos empresários: excesso de regulação, interferência do Estado na economia e, novamente, a escassez de mão de obra qualificada. E o maior risco futuro, para os próximos 12 meses, é o temor de elevação da carga tributária.
Este é um problema grave ao se considerar as necessidades de geração de caixa do governo federal para reduzir a dívida pública. Se somarmos os endividamentos interno e externo, a dívida teve crescimento de 13% em 2010 e alcançou o valor de R$ 1,69 trilhão. Por isso, o temor dos empresários em nova escalada na carga tributária.
O resumo da Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros é que o País tem oportunidades, dispõe de executivos capazes e transmite confiança e estabilidade para o mundo. Basta fazermos nosso dever de casa e preparar as bases para o salto de crescimento que está por vir nas próximas décadas.
* Carlos Peres, sócio da PwC / artigo publicado no A Notícia
