SC e a importância da indústria
No dia 10, a Fiesc promoveu um encontro com o secretário Ubiratan Rezende, da Fazenda, oportunidade em que a entidade fez uma apresentação de estudo que contempla as diretrizes para uma nova política industrial catarinense. Não foi a primeira vez que a Fiesc reuniu-se com o secretário para discutir esse tema, nem se trata de um documento definitivo, no sentido de que não possa ser melhorado. Referido estudo foi contratado junto à Prospectiva, empresa de consultoria especializada em negócios internacionais e políticas públicas, e os seus resultados refletem as convergências obtidas ao longo de sua elaboração.
Em 2010, a Fiesc buscou saber das indústrias quais as possibilidades de desenvolvimento para o setor, sendo assinaladas as principais oportunidades: inovação tecnológica, exportação, produtos de maior valor agregado e mercado interno. Ora, essas são questões que obrigatoriamente devem estar pautadas em qualquer discussão que se faça sobre a competitividade da indústria do Estado, cujas restrições encontram-se, predominantemente, mais fora do que dentro das empresas.
É o caso da infraestrutura precária, dos juros reais e da carga tributária elevados, da taxa de câmbio apreciada, da falta de trabalhadores qualificados, entre outros. É precisamente por isso que se requer a atuação do Estado, porque essas são questões que dizem respeito à sua competência, muitas das quais já contam com a ação complementar e, muitas vezes, principal do setor privado.
Assim, as propostas incluídas no estudo da Fiesc estão dispostas em três grandes vertentes: de fomento, compreendendo ações estruturantes de longo prazo; de incentivos ao investimento e à competitividade; e de recuperação de setores em crise, com apoio financeiro e fiscal, sob o guarda-chuva do Pró-indústria, que visa basicamente à desoneração da produção, ao incentivo aos investimentos, sobretudo em inovação tecnológica, ao resgate do potencial exportador e criar um ambiente de maior eficiência para o desempenho industrial.
Em suma, o objetivo da Fiesc é avançar em relação à melhoria do ambiente competitivo estadual, não porque, caso contrário, a situação poderia evoluir para um quadro social grave, com o enfraquecimento e até o fechamento de indústrias e o consequente flagelo do desemprego, mas porque é a competitividade que assegura o crescimento do setor e, consequentemente, a geração de empregos e de receitas crescentes para o governo.
Não é por outra razão que os Estados Unidos estão investindo pesadamente em ações que buscam o renascimento de sua indústria, condição reconhecida como essencial para o reequilíbrio de sua economia. Se até a mais desenvolvida economia do planeta não pode prescindir da indústria, para nações que pretendem fazer a transição de economias de baixa para média e alta renda isso é ainda mais importante, como sugere relatório da ONU, que considera a produção e exportação de produtos manufaturados como a melhor alternativa para isso.
Em artigo recente, Yoshiaki Nakano alerta que o atual quadro brasileiro está levando à “destruição da indústria”. No que depender da Fiesc e, esperamos, do governo estadual, isso não acontecerá em Santa Catarina.
* por Glauco José Côrte, primeiro vice-presidente da Fiesc / artigo publicado no A Notícia

