O valor adicionado pela indústria em Joinville
Valor adicionado em economia, contabilidade e finanças significa quanto um agente econômico efetivamente, produz. Se do valor das vendas for diminuído, as importâncias pagas pelo que foi adquirido de outros agentes econômicos para o processo de produção, resta aquilo que o agente realmente adicionou.
Para o estudo em questão, somou-se o valor adicionado pelas indústrias que produzem em Joinville, a partir das demonstrações financeiras publicadas pela Bolsa de Valores de São Paulo – BM&FBovespa – relativa ao ano de 2010. É evidente que se trata de uma amostra. O valor adicionado pelas indústrias que produzem em Joinville e que têm seus relatórios financeiros publicados na BM&FBovespa representa quase a metade do PIB industrial do município, embora, é evidente, nem toda produção dessas empresas seja local. O que importa aqui é apenas a representatividade da amostra.
Então, o valor adicionado por essas indústrias representa, no seu total, apenas 38% do faturamento, observando-se que varia de 34% para 54% do menor para o maior percentual das vendas.
O objeto principal do estudo é, todavia, a composição desse valor adicionado. Do total, 31% destina-se à remuneração do trabalho, 17% à remuneração do capital próprio, 13%, do capital de terceiros e 39% são impostos e contribuições.
Os percentuais que mais chamam à atenção é o dos impostos e o da remuneração do capital de terceiros que, somados, chegam a 52% do valor adicionado. Em outras palavras, sem juros e sem impostos, o valor produzido pela indústria de Joinville poderia ser vendido por 48% do preço atual. Este número é relevante quando se trata de competitividade, especialmente no mercado internacional, onde os juros são muito baixos e os impostos, em grande parte dos casos, incidem mais de forma direta sobre a renda e o patrimônio do que de forma indireta, isto é, sobre o valor das vendas.
Os percentuais apresentados até aqui se referiam à soma das contas de todas as empresas. Existem, obviamente, diferenças entre elas. Na remuneração do pessoal, por exemplo, o percentual sobre o valor adicionado fica entre 68% para a maior participação e 24% para a menor. Isto depende do setor de atividade, da tecnologia, do tamanho da empresa, entre outras coisas. Já com relação à remuneração do capital de terceiros, tem-se uma variação que vai de 17% do valor adicionado para 14% negativo. As variações não ficam muito distantes quando se trata de impostos, vai de 21% a 44% do valor adicionado. Finalmente, em termos de remuneração do capital próprio, os percentuais variam de zero a 21%.
Trata-se de uma amostra que, embora significativa, é claro, não explica tudo. Mas o estudo permite algumas reflexões, como a participação dos encargos relativos ao capital de terceiros e aos impostos que, juntos, representam mais do que a metade do valor adicionado, ou às diferenças relativas à remuneração do capital próprio, que mesmo num ano de crescimento extraordinário da produção industrial mostra diferenças muito altas entre as empresas pesquisadas.
* por Wilmar Anderle, professor emérito da Univille / artigo publicado no A Notícia

