Empreendedorismo internacional
A expressão empreendedorismo internacional se refere a novos empreendimentos que são planejados, desde a criação, para atingir o mercado de diferentes países.
Desse propósito surgem empresas que, independente de sua origem, já nascem internacionalizadas. Este é um fenômeno recente no mundo e vem sendo impulsionado pela competição internacional.
As mudanças do mercado mundial e as facilidades nas conexões empresariais propiciam novas relações entre as empresas e principalmente, promovem a identificação de oportunidades de negócios que atingem diferentes países ao mesmo tempo.
Esta é uma mudança significativa de paradigma no comportamento empresarial. Um novo modo de pensar uma empresa que afeta diretamente a postura dos empreendedores frente ao mercado.
Empreendedorismo depende basicamente de dois fatores: da ambiência econômica de uma sociedade e da ação das pessoas que estão envolvidas com a abertura de empresas.
O Brasil vive um momento privilegiado de desenvolvimento econômico, possui um ambiente propício para grandes e muitos investimentos empresariais. A percepção de quem vê o país de fora é de que o desenvolvimento econômico brasileiro é sólido e as grandes oportunidades de negócios atualmente estão por aqui. Pode-se dizer que o Brasil está preparado para o empreendedorismo internacional.
O segundo fator está relacionado à atitude, à percepção e crenças das pessoas sobre o ato de empreender. E neste aspecto o brasileiro ainda não entrou em sintonia com o atual momento que o país vive. Mesmo apresentando uma alta taxa de atividade empreendedora como identificada pelas pesquisas sobre o tema, abrir uma empresa ainda é uma decisão ousada e difícil para o brasileiro.
A internacionalização de uma empresa é vista como um processo gradativo, que só irá ocorrer com a maturidade e a segurança dos incentivos governamentais. Pensar uma empresa que já nasça global requer mudanças de modelo mental na cultura brasileira.
As percepções que as pessoas têm de sí dependem de aspectos culturais que estimulam ou não um determinado tipo de postura frente à vida. Neste momento de transição socioeconômica que o Brasil vive é a oportunidade para também melhorar a autoestima e a autoconfiança pessoal. O brasileiro precisa acreditar na sua capacidade de ser um empreendedor global e investir nas mudanças.
Nos últimos dez anos, o empreendedorismo esteve presente na cultura brasileira, ainda que de forma tímida em programas de educação e preparação profissional. As mudanças culturais precisam ocorrer rapidamente para que novos empreendedores possam aproveitar o bom momento que o país vive e desenvolver uma visão global.
Fatores como nível educacional, experiências no exterior e proficiência em outras línguas são fundamentais para romper com o antigo paradigma de abrir um negócio pequeno e doméstico sem se aventurar além das fronteiras nacionais.
Para o sucesso do empreendedorismo internacional é preciso investir na inovação, ser proativo e desenvolver as competências de propensão ao risco. Estabelecer uma boa rede de contatos é o passaporte para o sucesso.
O papel da cultura é incentivar a nova geração de empreendedores brasileiros a acreditar no seu potencial e abrir empresas com comportamento global.
* por Mara Sampaio, psicóloga e especialista em cultura empreendedora / artigo publicado no Brasil Econômico

